Na Arena não faltou só gol, faltou respeito às vítimas da pandemia

Juliano Barreto

Jornalista, biógrafo, maloqueiro e sofredor. Entrar no Pacaembu para assistir Corinthians x Novorizontino no Paulista de 93 mudou sua vida para sempre.

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Na Arena não faltou só gol, faltou respeito às vítimas da pandemia

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Na Arena não faltou só gol, faltou respeito às vítimas da pandemia

Torcida não respeitou o minuto de silêncio na partida da noite desta terça-feira

Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão

Empatar sem gols contra o modesto time da Ferroviária após uma atuação pouquíssimo convincente foi o tema mais debatido depois da estreia do Corinthians no Campeonato Paulista de 2022. Tirando a bagunça improdutiva em campo e a falta de gols, porém, o que mais me chamou atenção, porém, foi a falta de civilidade da torcida presente na Neo Química Arena.

Nem vou entrar na questão de quem estava e de quem não estava usando máscara (maioria não estava) ou na questão de como era mal feita a checagem de quem estava vacinado ou não. Para mim, a situação mais preocupante da noite foi logo antes do apito inicial da partida, quando o sistema de alto-falantes do estádio pediu um minuto de silêncio em respeito às vítimas da Covid-19.

Sei bem que o minuto de silêncio no futebol brasileiro, salvo raras exceções, como na morte do Dr. Sócrates, passam batidos e sequer duram 60 segundos. Sei também que todo mundo está exausto de debater, reagir ou simplesmente sobreviver a mais um dia de pandemia. Mas acho injustificável que a perda de mais de 624 mil vidas seja ignorada de forma tão grosseira.

As organizadas, que tantas vezes dão bons exemplos doando alimentos ou mesmo sangue, estavam lá batucando, cantando e pulando como se nada tivesse acontecido. Nos setores mais caros, podia-se ver gente de todas as idades brincando com os seus celulares. Tinha de tudo um pouco… gente fazendo selfie, gente berrando para “mandar áudio”, gente mastigando pipoca de boca aberta. Adivinha só? Todos sem usar máscara. Ou usando as máscaras do jeito errado, cobrindo apenas o queixo, fazendo uma malandragem para enganar os fiscais na entrada do estádio - mas na verdade se prejudicando e se expondo à doença.

Antes de ir ao jogo, fiquei muito em dúvida em saber se a conta fechava. O prazer de ver o Corinthians na Arena após um longo tempo (no meu caso, que moro fora do Brasil, já eram quatro anos) ou correr o risco de ser infectado com um vírus que pode me deixar doente ou mesmo matar as pessoas do meu convívio que são mais vulneráveis.

Foi bem ruim ver o jogo usando máscara N-95 numa noite tão quente quanto a da última terça, e ter os gritos de apoio ao time abafados foi uma experiência triste. Mas triste mesmo foi ver que a torcida corinthiana não respeitou a si mesma.

Sendo a maior torcida do Brasil, não tenho dúvidas de que a nação alvinegra foi também dizimada com a perda de corinthianos que eram pais, mães, filhos, filhas, avós, avôs, esposas, netos, amigos. A morte desses nossos irmãos de time, e obviamente a morte de 5.6 milhões de pessoas mundialmente, devia ter muito mais que um minuto de silêncio - ou pelo menos um pingo de respeito.

PS: Não tenho intenção nenhuma de mudar a cabeça de ninguém com esse post, mas quis registrar minha tristeza.

Veja mais em: Torcida do Corinthians, Neo Química Arena e Pandemia do coronavírus.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Juliano Barreto

Jornalista, biógrafo, maloqueiro e sofredor. Entrar no Pacaembu para assistir Corinthians x Novorizontino no Paulista de 93 mudou sua vida para sempre.

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