Você guardou o ingresso do jogo da sua vida?

Memória Fiel

Nostalgia alvinegra que vai além dos jogos, gols e súmulas. Aqui reviramos os arquivos para reencontrar as várias pequenas histórias e detalhes que formam a gigantesca história do Corinthians.

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Você guardou o ingresso do jogo da sua vida?

Coluna do Juliano Barreto

Opinião de Memória Fiel

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Você guardou o ingresso do jogo da sua vida?

Ingressos de jogos antigos do Corinthians

Foto: Juliano Barreto/Arquivo Pessoal

Você guardou o ingresso do jogo da sua vida? Eu não guardei, também não saberia dizer qual o melhor jogo que vi da arquibancada, mas tenho uma certeza: ingressos antigos dos jogos do Corinthians são mais o próximo que temos de uma máquina do tempo.

Com tantas reprises nas últimas semanas, todo bom corinthiano reviveu com gosto as conquistas de Paulistas, Copas do Brasil e, claro, da canastra limpa com as invictas conquistas da Libertadores, do Mundial e da Recopa.

Mas não vivemos só de clássicos, finais e títulos. Por décadas cantamos e, mais importante, praticamos o “Corinthians joga, eu vou”. Relembrar 4 de julho de 2012 é fácil demais.
A função daquele ingresso no fundo da sua gaveta é outra.

Aquele pedaço de papel (ou mais recentemente de plástico) não traz impresso apenas data, adversário e local de uma partida. Ali também está tudo que cercava a sua vida naquele momento. Em uma tinta invisível, o bilhete mostra quem estava ao seu lado, onde era sua casa, quem você namorava, onde trabalhava, e qual a situação do seu saldo no banco.

Segurando o ingresso, você sente o gosto do sanduíche de pernil, ouve a bateria, e até revisita sentimentos. Do alívio por uma classificação no finalzinho ao completo desespero de uma derrota na zona do rebaixamento, passando pela euforia de ver o Coringão aumentando a liderança ou pelo conforto de ver uma goleada tranquila em um timeco do interior.

O jogo da sua vida, pode ser o seu primeiro jogo no lotado Pacaembu, aquela noite com uma baita chuva, aquele dia com golaço de falta, a estreia --ou a despedida-- do seu ídolo com a camisa alvinegra, o dia em que mesmo correndo pra caramba você perdeu o metrô e teve que se virar para chegar em casa sabe-se lá como.

Enfim, nossos títulos marcam gerações ao mesmo tempo, mas todo mundo tem aquele jogo que por alguma razão bem particular vai ficar sempre guardado em um lugar especial. O ingresso pode ficar perdido na gaveta, mas as recordações são eternas.

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Para terminar, vou relembrar aqui um desses jogos esquecíveis que um ingresso transformou em inesquecível -- e também quero convidar você para fazer o mesmo nos comentários (com foto, de preferência!)

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Ingresso de Corinthians x Guarani

Juliano Barreto/Arquivo Pessoal

Guarani x Corinthians
Campeonato Paulista de 2009, Estádio Brinco de Ouro em Campinas.
Ronaldo chegou “chegando” no Corinthians e ficou difícil ficar em casa naquele sábado. Depois de ver o gordo nos primeiros jogos, a minha vontade era de ver cada minuto daquele milagre ao vivo. Briguei com minha namorada de manhã (meio que de propósito) e liguei pro meu irmão na sequência: “Se troca que vamos no jogo.” Não tinha falado com a minha mina nem com meu irmão que isso incluiria um bate-volta a 100 km de casa. Pouco importava. Também pouco importou largar meu carro às pressas numa rua escura, pagar uma fortuna pro cambista, ser hostilizado pela PM, pela torcida do Guarani e até por uns caras da Gaviões. Não importou o frio no estádio ou o 0x0 no placar. Ver o Ronaldo jogando naquele matagal, dividindo, driblando e quase marcando um gol (de falta!) foi demais. Sem falar do privilégio de ter meu irmão do meu lado. Vejam só vocês: foi ele quem guardou o ingresso desse jogo e tirou essa foto.

Veja mais em: Ingressos e Torcida do Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Coluna do Juliano Barreto

Por Juliano Barreto

Jornalista, biógrafo, maloqueiro e sofredor. Desde 1993 recorta jornais, revistas e guarda tudo relacionado ao Coringão. Neste blog, vamos tirar a poeira desses arquivos e matar as saudades.

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