O jogo contra o Flamengo é para lavar a alma do torcedor corinthiano
Opinião de Bruno Pantarotto
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O jogo contra o Flamengo é para lavar a alma do torcedor corinthiano
Foto: Rodrigo Coca / Ag. Corinthians
O assunto da semana em todo futebol brasileiro é o jogo entre Corinthians e Flamengo pela Copa do Brasil. Sobre o extracampo, já não é uma novidade tudo que vem sendo discutido e o absurdo de decisão que foi tomado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ao colocar a partida de volta no fim de semana após a data Fifa, mesmo com o Corinthians tendo disputado a decisão contra o Juventude também desfalcado por jogadores convocados.
Entretanto, o duelo contra o clube carioca provoca ainda mais vontade de uma vitória para o torcedor corinthiano e o motivo é muito simples: a final da Copa do Brasil de 2022. Aquela final dolorosa e melancólica para a Fiel Torcida completa dois anos no sábado após a data, 19 de outubro, um dia antes do inicialmente previsto jogo de volta que decide a vaga para a decisão deste ano.
Naquela ocasião, o torcedor corinthiano voltou ao sentimento mais próximo de um possível título para o que clube, o que não acontece desde 2019, com o Campeonato Paulista conquistado sobre o São Paulo. A sensação de dor para a torcida que tanto comemorou o gol de Giuliano e viu o sonho acabar com as penalidades desperdiçadas por Fagner e Mateus Vital foram imensuráveis, muito pela campanha do Timão na competição.
Naquele ano, o Corinthians estreou contra a Portuguesa-RJ, no Estádio do Café, em Londrina, onde o jovem Robert Renan, que seria a principal revelação do Timão na temporada, fez sua estreia como profissional. Após um empate por 1 a 1 com um time "mais do que reserva" o elenco fechou o caixão na Arena com gols de Giuliano e Junior Moraes, o único do centroavante com o manto alvinegro. Logo depois veio o Clássico Alvinegro, duelo onde nem o mais otimista corinthiano cravaria um sonoro 4 a 0 no primeiro jogo disputado em Itaquera. Na volta, o Corinthians, com um time misto, sofreu apenas um gol e saiu do litoral com a vaga.
Nas quartas de final, veio o duelo que mostrou o poder de reação do elenco alvinegro. Contra o Atlético-GO, o Corinthians foi derrotado por 2 a 0 em Goiânia e via a chance da única copa que restava escapar pelos dedos, já que tinha sido eliminado pelo próprio Flamengo na Libertadores. Com uma Neo Química Arena lotada e um show de Yuri Alberto, o Timão goleou o clube do Centro-Oeste por 4 a 1, com direito a um "hat-trick perfeito" (gol de cabeça, pé esquerdo e pé direito) do camisa 9, que balançou pela primeira vez as redes com o manto alvinegro.
Yuri Alberto marcou seus primeiros gols pelo Corinthians com um hat-trick
Danilo Fernandes / Meu Timão
Na semifinal, o time se mostrou ainda mais sólido fora de casa, onde arrancou um empate por 2 a 2 contra o Fluminense nos minutos finais com gol de Róger Guedes. Na volta, novamente na zona leste, a equipe de Vítor Pereira não deu chances para o Tricolor Carioca e aplicou um 3 a 0, com direito a mais um gol do artilheiro da competição, Giuliano, que já mostrava ser diferente na competição.
Giuliano marcou o gol que colocou o Corinthians na final da Copa do Brasil
Rodrigo Coca / Ag.Corinthians
A grande final enfim chegou. O primeiro jogo foi em Itaquera e disputado do início ao fim. Mas, para os corinthianos, a memória não é tão boa. Aos 36 minutos do segundo tempo, com o duelo sem gols até então, o Timão cruzou a bola na área em direção a Yuri Alberto, que saiu da trajetória da bola, que bateu no braço de Léo Pereira, ocasionando em um pênalti claro para o time do Parque São Jorge, que não foi marcado pelo árbitro em campo e nem chamado ao VAR. Desse modo, tudo seria decidido na Cidade Maravilhosa.
No dia 19 de outubro, os times entraram em campo no Maracanã. O técnico do Corinthians, Vítor Pereira, apostou em uma linha de cinco defensores, com Fábio Santos fazendo a função de terceiro zagueiro. O esquema não durou muito, já que com sete minutos de jogo, Pedro aproveitou belo passe e bateu na saída de Cássio para abrir o marcador. Ainda no primeiro tempo, Gabigol marcou o segundo, mas foi anulado devido ao impedimento do ex-camisa 9.
Na volta para o segundo tempo, Adson entrou no lugar de Lucas Piton e o Timão foi para o 4-3-3. Com boas chances e melhor na partida, o Corinthians perdeu uma bela chance com Róger Guedes, que se atirou na bola com a meta sem goleiro e mandou por cima do gol. Aos 20 minutos, Vítor Pereira tira Renato Augusto, referência técnica do time para colocar Giuliano, o reserva que havia feito bons jogos e era o artilheiro do torneio. O dedo do treinador funcionou. Com 35 minutos e uma enorme pressão, A bola cruzada da esquerda passou por Fábio Santos na área, chegou até Adson, que desviou, e sobrou para o camisa 11 na época, que finalizou e marcou o gol que desafogou a angústia de mais de 30 milhões do Bando de Loucos.
Com o Timão em cima do rubro-negro nos minutos finais, mas sem sucesso, tudo foi decidido nos pênaltis. A primeira batida do Flamengo viria a ser com o experiente Filipe Luís, hoje técnico do clube carioca, que bateu no canto esquerdo de Cássio que realizou sua defesa para aumentar as esperanças do corinthiano. As penalidades seguiu normalmente até o Corinthians realizar sua quarta cobrança com o experiente lateral-direito Fagner, que chutou forte no travessão e viu a decisão ir para as alternadas. Mateus Vital, de até então 24 anos, viu a bola do sétimo chute do Timão passar por cima do gol e Rodinei converter sua cobrança para acabar o sonho alvinegro.
Após o apito final, o torcedor sentiu a dor daquela final e viu que isso também acontecia com os jogadores. O goleiro Cássio, segundo jogador com mais jogos pelo clube, desabou e chorou no centro do gramado depois da entrega das medalhas e, mesmo com diversos títulos conquistados, sentiu a dor da sua terceira e última final perdida defendendo o clube do Parque São Jorge.
Cássio chora após derrota na final da Copa do Brasil
Rodrigo Coca / Ag.Corinthians
Como corinthiano, vejo essa final como a maior dor que já senti como torcedor em 19 anos da minha vida. Superou o trauma de infância da Libertadores de 2013 contra o Boca Juniors, no escândalo de arbitragem protagonizado pelo árbitro Carlos Amarilla.
A chance de uma vingança somado aos fatores externos muda totalmente o panorama que poderia ser apenas mais um Clássico das Multidões na temporada. O torcedor corinthiano quer e merece ver o seu time em mais uma final, que pode finalmente, terminar com um final feliz e o tetracampeonato.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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