Não devemos romantizar o sofrimento desnecessário
Opinião de Elian Sousa
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Time do Corinthians antes do jogo contra a Universidad Central.
Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão
“Se não for sofrido, não é Corinthians.”
Essa frase segue o corinthiano a vida toda. E graças a momentos marcantes da nossa história, sempre tivemos orgulho dela.
Em 13 de outubro de 1977, quando Basílio estufou as redes da Ponte Preta e tirou o Timão do jejum de 23 anos, teve que ser sofrido. Só podia ser sofrido.
Quando Tupãzinho teve que se jogar na bola para marcar o gol que garantiria o primeiro título do Brasileirão - contra um São Paulo favorito - foi sofrido.
O Dérbi Centenário, com o rival embalado, uma expulsão equivocada ainda no primeiro tempo e um gol salvador que mudou a temporada da “quarta força”. Não tinha outro jeito que não fosse sofrido.
E a classificação histórica na Bombonera? Um time todo remendado, cheio de garotos da base dentro de um dos maiores caldeirões do futebol mundial. Durante o jogo, o corinthiano não respirou tranquilamente nem um minuto sequer. Talvez a melhor representação possível da frase.
Agora, contra a Universidad Central - que deve ter a folha salarial equivalente a de um reserva do Corinthians - tinha que ser sofrido?
Sofremos três gols (!) de um time que, no Brasil, certamente sofreria para disputar a Série C. Dois jogos de baixíssimo nível de um elenco que promete - e precisa cumprir - muito mais. Erros defensivos gritantes, firulas desnecessárias e descabidas, falta de precisão no último passe… uma postura patética.
A sensação é de que a icônica frase vem perdendo o sentido nos últimos tempos.
As vitórias na raça estão sendo cada vez mais banalizadas e usadas como muleta para desviar o foco de atuações ruins contra times consideravelmente mais fracos.
Não é porque cantamos que somos maloqueiros e sofredores que temos que aceitar sofrer quando não deveríamos. Celebrar vitórias assim não é ser “muito Corinthians”, é aceitar pouco. E ultimamente estamos aceitando muito pouco.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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