Não existe 'acesso negado', mas sim incompetência e amadorismo
Opinião de Elian Sousa
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Elenco do Corinthians antes do jogo contra o Huracán
Foto: X / @SudamericanaBR
O Corinthians, pela segunda vez no ano, está eliminado de uma competição sul-americana - e não é nem metade da temporada. E é claro, o preço que pagamos por torcermos para um clube gigante é ouvirmos a piada do “acesso negado” pela centésima vez. E está tudo bem, faz parte. É o futebol. Mas o que me incomoda é ver corinthianos comprando essa ideia.
O vexame desta última terça-feira (27) traz de volta todo aquele roteiro de eliminação continental do Corinthians: o retrospecto terrível nessas competições. Sim, é verdade. Nosso histórico é ruim mesmo. Mas esse papo de “tradição” não cola.
O rival da barra funda e o Flamengo, por anos, também tiveram apenas um título da Libertadores. E durante todas as temporadas que eles falharam na tentativa do bicampeonato, não me lembro de ouvir nenhuma piada nacional sobre tradição com eles.
Voltando ainda menos no tempo. Fluminense e Botafogo jamais tinham conquistado a América do Sul, e recentemente conseguiram. Mas como conseguiram? Por causa da tradição deles? Pois é, não.
O futebol às vezes é bem simples. Você colhe o que planta.
Flamengo e Palmeiras, depois de viverem os piores anos de suas histórias - principalmente o rival -, entenderam o buraco onde estavam e organizaram a bagunça. O resultado? Uma dinastia no futebol brasileiro entre os dois.
O Fluminense manteve um estilo de jogo único, deu ao seu treinador as peças de que precisava e foi campeão. O Botafogo reconheceu que não levantaria do fundo do poço sozinho e se tornou SAF. Em dois anos, com um time altamente competitivo, já colheu os resultados.
Agora vamos olhar para nós. Vamos colher o quê?
Desde 2012, o Corinthians travou. Aliás, não só travou, regrediu. Anos e anos de crises políticas e gestões patéticas. As eliminações de 2013 em diante não foram só no campo e bola. Há quem diga que isso não reflete lá, mas é claro que reflete. Refletiu nos rivais, por que com a gente seria diferente?
Como vamos competir se não temos um elenco equilibrado? Como vencer se toda temporada trocamos de técnico? Como vamos bater de frente com qualquer um se a dívida do clube não para de crescer, diretores não se mantêm em seus cargos e o presidente é indiciado pela Polícia Civil? Como vamos olhar para o futuro se a gestão não para de contratar atletas - que nem entram em campo - para a base?
É uma bola de neve, tudo vai se juntando e escancarando o buraco onde estamos.
O Corinthians é muito grande, o tamanho de qualquer vexame é multiplicado dez vezes. O acesso negado não existe, é só se organizar que venceremos. Flamengo, Palmeiras, Fluminense e Botafogo se organizaram e venceram.
O problema é que o “só se organizar” estará longe de acontecer enquanto quem comandar o clube não estiver nem aí para ele.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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