Uma semana para lembrar o Corinthians do buraco onde está
Opinião de Elian Sousa
2.3 mil visualizações 21 comentários Comunicar erro

Armando Mendonça, Augusto Melo, Osmar Stabile, Neto e Memphis Depay.
Foto: Montagem / Meu Timão
O Corinthians fez sua última partida antes da parada para a Copa do Mundo de Clubes no início do mês. Em tese, seria um período de sossego para a torcida das notícias ruins e um tempo para focarmos 100% no futebol - que também não vem bem. Mas até o momento, sossego é a última coisa que temos.
Para começar a semana com o pé direito, na segunda-feira, Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, voltou a disparar contra o presidente afastado Augusto Melo após fotos com empresários ligados à VaideBet - sim, ainda a VaideBet. Augusto respondeu seu ex-aliado e voltamos naquele filme que já assistimos mil vezes. E para ajudar, o ex-diretor jurídico do Timão, Yun Ki Lee, também foi indiciado pela Polícia Civil no caso envolvendo a antiga patrocinadora.
Horas depois, no programa Os Donos da Bola, da Band, Neto atacou - de forma bem exagerada - Memphis Depay, após o atacante provocá-lo no clipe da sua música lançada semana passada. Depois da exibição do programa, ambos se provocaram nas redes sociais, atos que sinceramente lembraram os meus tempos de quinta série.
E para fechar com chave de ouro, a Polícia concluiu o inquérito da VaideBet e indicou ligação da diretoria - chefiada até então pelo Augusto - com o PCC.
Ok. Foi apenas um dia ruim, né?
Então, surge a notícia de que Augusto Melo triplicou a multa rescisória de Marcos Boccatto, ex-superintendente de novos negócios, horas antes do seu impeachment. A motivação disso? Fica o mistério.
Na manhã da quarta-feira, os advogados de Memphis Depay notificaram o Corinthians sobre a dívida de mais de R$ 6 milhões do clube com o atacante e estipularam o prazo máximo para o acerto.
Pouco depois, a gestão interina do clube identificou dívidas milionárias na utilização de camarotes na Arena, nas gestões passadas (Duilio e Augusto).
De repente a Fatal Model, uma empresa de acompanhantes de luxo - sim, isso mesmo -, se ofereceu para arcar com os valores pendentes com Memphis. Que fase...
Mas quem dera fosse só a dívida com o Depay. No fim do dia, soube-se que Igor Coronado tem um valor maior ainda para receber do Corinthians, girando em torno de R$ 10 milhões. E ainda Jonathan Cafu - ele mesmo - acionou o Timão na Justiça cobrando mais de R$ 2 milhões.
Já hoje, a mais recente é de que a Polícia Federal está investigando o Corinthians por crimes tributários (sonegação de impostos), com os débitos referentes aos anos dos mandatos de Duilio Monteiro Alves (2023) e Augusto Melo (2024).
Tudo isso aconteceu em um intervalo de cinco dias, durante uma pausa no meio da temporada enquanto temos que ver o nosso maior rival disputando o maior torneio de clubes do planeta. Nós devíamos estar falando de futebol, de possíveis reforços e saídas, de como o time voltará após o período sem jogos.
Nosso momento é tão ruim que até as notícias boas são ofuscadas. Como o novo acordo bilionário com a Nike; a garantia de permanência do Yuri Alberto; a quitação dos direitos de imagem do Memphis e a tão esperada implementação da biometria facial na Arena - e até nisso tem lado ruim, pois podemos ter o público reduzido contra o Bragantino pela demora da instalação.
A sensação é de que o Corinthians nunca é prioridade dos que estão à frente dele. Não estão nem aí para as consequências dos seus atos, afinal, quem mais sofre somos nós torcedores, não eles. A imagem do clube segue sendo manchada cada dia mais e a desesperança da Fiel com o futuro aumenta.
E calma que ainda é sexta-feira. Ainda dá tempo de piorar o que já está ruim.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
Avalie esta coluna
Veja mais posts do Elian Sousa
