Duro admitir, mas Willian virou um craque “lasanha”

Juliano Barreto

Jornalista, biógrafo, maloqueiro e sofredor. Entrar no Pacaembu para assistir Corinthians x Novorizontino no Paulista de 93 mudou sua vida para sempre.

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Duro admitir, mas Willian virou um craque “lasanha”

Willian é um ser humano, sujeito a dias bons e ruins como todos nós

Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão

Juro que não estou pensando apenas na (fraca) atuação do Willian no último clássico. Também não ignoro o fato de que fazia quase cinco anos que o Corinthians tinha apenas jogadores patéticos atuando como meias-atacantes.

O fato é que, por mais duro que seja, não está dando mais para esconder que o desempenho do camisa 10 não vai corresponder às expectativas mais otimistas da torcida. O Willian de hoje lembra muito uma “lasanha” automotiva.

Se você é viciado em carros e vive em São Paulo, provavelmente não precisa ler o próximo parágrafo. Se você achou essa comparação a coisa mais bizarra que você leu ultimamente, não estou xingando o cara de gordo ou avacalhando com ele.

Para quem ama automóvel, a gíria “lasanha” é usada para descrever duas situações. Um carro usado que já foi batido, amassado e todo ralado, mas que foi reformado várias vezes na base de camadas e mais camadas de massa plástica e pinturas, ou um modelo de luxo com muitos anos de estrada que foi largado pelo dono rico, como se fosse resto de comida na geladeira.

Apesar de custar só um pouco mais do um modelo popular mais novo, a “lasanha” ainda ostenta a opulência de uma marca luxo, todos os opcionais possíveis de uma série limitada especial, aquele baita motorzão e aquele estilo que, uns quinze anos atrás, merecia capa de revista e fazia os visitantes do Salão do Automóvel babar.

Quem compra uma “lasanha” sabe que não está lidando com um 0km. A manutenção certamente será constante e caríssima. O motorzão, mesmo com todas as gambiarras possíveis, não vai mais entregar a potência de antes. Pior que isso, a barca vai gastar tanta gasolina que o dono vai pensar duas vezes antes de dar uma acelerada mais firme.

Enfim, o dono da “lasanha” vive entre a ilusão de reviver tempos gloriosos e a realidade de ter um automóvel que exige muitos cuidados.

Willian é um ser humano, sujeito a dias bons e ruins como todos nós. Merece respeito e tem todas as credenciais possíveis para ser o melhor camisa 10 que o endividado Corinthians pode ter hoje. Cria da base, humilde, íntegro dentro e fora de campo, demonstra que tem técnica e mesmo velocidade para estar (bem) acima da média (baixíssima) do futebol brasileiro.

Mas por mais que soe óbvio, precisamos lembrar a todo jogo, a cada minuto jogado: ele não é o Willian titular do Chelsea. Ele não é o Willian que jogou Copas do Mundo. O cara vai oscilar e o desempenho dele, mesmo nos dias bons, não vai ser nem parecido com o que ele fazia quando foi bicampeão inglês nas temporadas 2014–15 e 2016–17.

O Willian de 2022 é o nosso craque lasanha. Dá para tirar onda dizendo que temos um dos melhores do mundo, mas não vale fingir surpresa -- menos ainda revolta-- quando o motor dele pifar no meio de uma arrancada e ele tropeçar na bola.

Veja mais em: Willian.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Juliano Barreto

Jornalista, biógrafo, maloqueiro e sofredor. Entrar no Pacaembu para assistir Corinthians x Novorizontino no Paulista de 93 mudou sua vida para sempre.

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