Vamos aproveitar enquanto é tempo, porque pode estar acabando
Opinião de Marina Borges
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Duda Sampaio tem contrato válido com o Corinthians até 2028
Foto: Staff Images / CBF
Na última terça-feira, o Brasil venceu o Uruguai e confirmou vaga para mais uma final de Copa América Feminina. O jogo marcou mais uma boa atuação de Duda Sampaio, que chama a atenção não apenas pelas participações em gol — já são três em cinco partidas do torneio —, mas pela fluidez com que distribui o jogo, dominando o meio-campo com elegância e inteligência, sem parecer fazer qualquer esforço.
Aos 24 anos, a jogadora já se firma como uma das grandes arquitetas dessa nova Seleção, e seu desempenho vem servindo como vitrine: quem acompanha o futebol feminino sabe que os olhos do exterior estão atentos aos talentos brasileiros.
Eleita melhor em campo contra o Paraguai nesta Copa América, Duda teve sua performance repercutida fora do país. Uma página argentina especializada em futebol latino-americano destacou a criatividade e a consistência da meia, enquanto torcedores estrangeiros, como uma fã do Real Madrid, já projetam sua chegada à Europa. A vitrine da Seleção amplia os caminhos que, cedo ou tarde, devem levá-la ao futebol internacional.
No Corinthians, esse olhar já é antigo. Duda não chegou ao Parque São Jorge como uma promessa. Ao contrário: em 2022, quando ainda defendia o Internacional, já era considerada uma das melhores jogadoras do país na posição. Naquele ano, foi eleita melhor meia e craque do Brasileirão, mesmo sendo vice-campeã — justamente perdendo o título para as Brabas. Não demorou para ela trocar o vermelho pelo preto e branco.
Contratada para a temporada de 2023, Duda vem empilhando bons números, títulos e convocações para a Amarelinha desde então. Pelo Corinthians, a meia soma 23 gols e 21 assistências — participou diretamente de 44 gols em 87 jogos —, ou seja, balançou as redes ou deu passe para gols em mais da metade das partidas que disputou com a camisa alvinegra.
Uma média que impressiona para uma meia. Soma-se a isso um aproveitamento de 82,76% em pontos conquistados, sendo titular em 65 destas 87 partidas. Em dois anos e meio no clube do Parque São Jorge, Duda já levantou seis troféus: duas Libertadores, dois Brasileiros, uma Supercopa e um Paulista. É peça-chave na equipe de Lucas Piccinato.
Mas o que impressiona na meia vai além dos números. É a maneira como ela enxerga o jogo. Como flutua entre as linhas, como abre defesas com um passe vertical, como acelera e desacelera o ritmo conforme a necessidade da equipe. Com Arthur Elias na Seleção, Duda encontrou um ambiente tático que valoriza suas virtudes. Não à toa, já soma dois gols e uma assistência nesta Copa América e deve ser nome certo nos próximos ciclos internacionais.
Todas essas grandes aparições da camisa 27 do Timão resultaram em um feito raro em agosto do ano passado, após a conquista da medalha de prata com a Seleção Brasileira nas Olimpíadas de Paris: o Corinthians renovou com Duda Sampaio até o fim de 2028. No futebol feminino brasileiro, contratos longos como esse são exceção, não regra.
O Monterrey, do México, já rondava a jogadora e esperava o fim do vínculo anterior, que acabaria em dezembro de 2024. Diante do assédio internacional, a diretoria alvinegra agiu e ofereceu à meia um contrato de quatro anos, o mais longevo do elenco. A permanência foi um desejo mútuo — e comemorado por Duda, que sempre mostrou identificação com o clube.
Mas se o contrato foi estendido, a permanência definitiva é outra história. Com as atuações que vem empilhando — e com os holofotes internacionais conquistados com a Seleção Brasileira —, é difícil imaginar que o mercado estrangeiro a deixará passar batido. A saída parece iminente. A questão é quando, não se.
Resta a nós, corinthianos, desfrutar enquanto é tempo. Viva Duda Sampaio, viva o futebol feminino praticado em seu mais alto nível.
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Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
