Um risco desnecessário e dois pontos de destaque sobre Yuri Alberto no Corinthians
Opinião de Mayara Munhoz
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Yuri Alberto soube dar a volta por cima no Corinthians
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
Yuri Alberto é o nome do Corinthians em 2024. Já podemos cravar isso, certo? Seja pela má fase em parte dele ou pelo poder decisivo demonstrado na reta final, ele é o nome que mais se destacou no clube na temporada. Ontem, após o Dérbi e mais uma excelente atuação, o atleta deu importante entrevista para o programa Boleiragem, do SporTV.
Entre os assuntos discutidos, Yuri Alberto falou do seu trabalho feito com acompanhamento de uma terapeuta. O jogador revelou como a má fase que passou no clube o afetou mentalmente e levantou a bandeira da importância de um tratamento adequado.
"Quando comecei essa conversa com meu pai ele tocou nesse assunto e, para nós jogadores, quando se fala de terapeuta é 'eu não sou louco, não preciso disso'. Mas, cara, é importante. É muito bom. Fisicamente estava muito bem, tecnicamente nem tanto, falhava algumas vezes, e mentalmente estava ferrado. Ela (a terapeuta) me ajudou muito", disse o jogador, em trecho que destaco aqui como um dos pontos altos.
Ainda existe muito preconceito quando o assunto é saúde mental dentro do futebol, e fora dele também. Vários jogadores já abordaram o assunto, mas ainda existe. Yuri Alberto tem só 23 anos, é um jovem, convive com a pressão do futebol desde muito cedo, em um meio complicado. Passou por uma fase turbulenta e soube dar a volta por cima.
Mais do que conseguir superar e voltar a atuar em alto nível, acho importante ele falar sobre o assunto. E acho importante aproveitarmos o momento para refletir sobre um risco que corremos, como torcedores, durante o ano. Quase perdemos Yuri Alberto, que, como dito acima, é o principal nome do time em 2024.
Não estou falando só de propostas e oportunidades de deixar o time, mas ele podia ter se deixado vencer pela parte mental. Ele poderia ter feito como outros nomes recentes e deixado o clube com medo da pressão vivida pela família. Ele comentou nessa mesma entrevista que precisou até mudar de camarote na Neo Química Arena por conta dos torcedores.
Podíamos ter perdido Yuri Alberto, para outro time ou para ele mesmo. Mas teríamos perdido o jogador que mais demonstrou raça durante a temporada toda. Em muitos momentos faltou técnica, faltou pontaria e isso não podemos negar. Mas, Yuri nunca deixou de mostrar vontade e de mostrar a paixão que carrega no peito pelo Corinthians.
E é isso que a Fiel precisa valorizar. É isso que marcou tantos nomes antigos no clube, na história do Timão. Essa identificação não é mais comum nos dias atuais, no futebol que só valoriza cifras altas e clubes europeus. Yuri Alberto tem 23 anos e não esconde a paixão que tem pelo Corinthians. Joga com raça, vontade e sente todos os jogos. Chora quando perde, fica irritado quando erra, demonstra ansiedade quando não marca por jogos seguidos. Yuri sente o Corinthians, sente o que é ser Corinthians.
E aí entra o outro ponto de destaque que cito no título dessa coluna. Na mesma entrevista, ao SporTV, Yuri falou com naturalidade sobre a paixão da sua família pelo clube. E isso encaixa em tudo que eu falei acima. Ele vive o clube e ainda leva a família para viver junto.
"Minha família sempre está junto comigo. Todos os jogos. Até peço desculpa porque cada jogo compro uns 30, 40 ingressos e contando os 12 do meu camarote ainda (risos). Eu gosto muito. Minha família toda é corinthiana, então essa energia positiva que eles mandam para mim dentro de campo é muito importante", contou o atleta.
Isso faz a diferença, Fiel! Tem que fazer!
Temos que criticar quando as falhas acontecem, temos que cobrar quando o desempenho não é bom, eu sei. Mas temos que saber dosar o limite para não correr riscos. Para não destruir o mental de um jogador, para não apagar uma paixão tão visível, para não piorar uma situação que pode ser resolvida.
Que bom que no caso de Yuri Alberto deu tudo certo. A raça segue, a vontade segue e, o melhor de tudo, o homem voltou a balançar as redes e ser decisivo. Voltou a fazer diferença e ser o nome do Corinthians, para o lado bom.
Que mais "Yuris" vistam e honrem a camisa do Corinthians como esse jovem faz.
E que a gente possa saber dosar na hora de torcer e cobrar.
Vai, Corinthians!
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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