Não há razão para o Corinthians assinar com Jonathan Cafu até o final de 2023
Opinião de Tomás Rosolino
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Cafu pode e deve ser útil ao Corinthians no atual cenário; até o fim de 2023, porém, muita coisa deve mudar
Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
O Corinthians anunciou nesta segunda-feira a contratação do atacante Jonathan Cafu, alternativa para Vagner Mancini preencher as pontas da equipe. Tecnicamente acho que briga tranquilamente pela titularidade no atual cenário e pode ser útil. Meu ponto aqui vai muito além disso: a parte administrativa.
Não há nenhuma razão para o Corinthians assinar um contratado de 38 meses com Cafu, que disputaria a segunda divisão da Arábia Saudita e não interessava ao Bordeaux, dono dos seus direitos econômicos. O conceito de oportunidade de mercado é praticamente destroçado quando se firma um compromisso tão longo com um jogador que não dá a menor certeza de retorno técnico.
Pelo seu desempenho recente (seis gols e três assistências em 51 jogos disputados nos últimos três anos) e a idade (29 anos), Cafu não é um cara que abala o mercado. Não houve concorrência pela sua assinatura e ninguém manifestou interesse em trazê-lo mesmo com tanto tempo em baixa. Por que não dar um ou até dois anos ao jogador e deixar pré-acertado uma extensão caso haja interesse das partes no futuro?
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Para se ter uma ideia, o contrato feito pelo Corinthians com Jonathan Cafu é mais longo do que o feito pelo Flamengo com Bruno Henrique na época da compra do jogador, que estava no Santos (38 a 35 meses). Ou seja, o Timão dá a uma aposta sem grandes referências um contrato mais longo do que um outro grande brasileiro deu a uma certeza que lhe custou R$ 23 milhões. As coisas não se encaixam.
"Ah, mas e se o Cafu jogar muito?". Se Cafu repetir algo próximo do que fez no melhor ano da carreira (16/17), marcando 14 gols e dando 11 assistências em 45 jogos, a aposta vai se comprovar certa. O tempo de contrato, não. Ou seja, no cenário mais otimista possível, o erro seguirá claro.
Tudo fica ainda pior quando se constata que o Corinthians assinou com três jogadores de Seleção (Jemerson, Cazares e Otero - este por empréstimo até o fim do seu vínculo com o Atlético-MG), todos mais novos do que Cafu, apenas até junho do ano que vem.
Ou seja, em cenários nos quais é mais provável que o atleta se destaque e que o time tenha trabalho por uma renovação, a opção foi por vínculos inusitadamente curtos. Inexplicável.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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