Não dê ouvidos a quem ignorou Jonathan Cafu e Pedro Raul para se indignar com Memphis Depay
Opinião de Tomás Rosolino
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Memphis Depay sendo aclamado pela torcida do Corinthians
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Sim, o Corinthians fez um bom investimento para trazer Memphis Depay, o segundo maior artilheiro da história dos Países Baixos, aos 30 anos, após passagem por Barcelona e Atlético de Madrid, dois times que jogam no mais alto nível do futebol mundial. Não, esse investimento não é uma temeridade sem sentido se você acompanha o clube realmente preocupado com a sua saúde financeira.
Bastou outra vez o Corinthians encaixar uma série de reforços mais conhecidos e até certo ponto surpreendentes para que ressurgisse a "preocupação" com as finanças corinthianas, principalmente de quem não acompanha o clube do Parque São Jorge.
Gosto de fazer esse discernimento porque hoje estamos muito focados em quem torce ou não torce pelo clube - até falei sobre isso na última coluna -, mas me parece mais preciso falar sobre quem não vê o dia a dia corinthiano. Para essa parte da crítica esportiva, o Corinthians está fazendo um movimento "absurdo", "da noite para o dia", "irresponsável" e tudo o que você já ouviu por aí.
Mas onde estavam essas pessoas quando o Corinthians ofereceu contratos enormes para Jonathan Cafu e Léo Natel, há poucos anos, assumindo dívidas de dezenas de milhões de reais com atletas comprovadamente de baixo nível?
Por que não houve grita desses mesmos quando Pedro Raul, depois de péssimo desempenho em Vasco e Toluca, foi trazido em um pacote que vai custar cerca de R$ 75 milhões ao Corinthians em cinco anos?
Ora, a pergunta é retórica. Não é o dinheiro do Corinthians a preocupação. Não dê ouvidos a quem ignorou esses descalabros travestidos de contratação e agora aparenta se indignar com a chegada de Memphis Depay. Um jogador, caro, óbvio, mas que não vai apresentar um custo muito diferente de cinco anos de Pedro Raul, quatro de Yuri Alberto. Até mesmo uma soma de Igor Coronado com Félix Torres.
Obviamente não estou dizendo que o Corinthians vive às mil maravilhas. A situação financeira é ruim, mas não por causa de Memphis Depay, Carrillo ou as contratações atuais. Vem de um estado perene de dívida galopante dos últimos dez anos.
"Você acha justo o Corinthians usar Raniele sem pagar o Cuiabá?", bradam alguns, que simplesmente ignoram que Lucas Piton foi peça importante do Vasco no ano passado, competindo contra o próprio Corinthians, sem que um centavo do acordo pela sua contratação fosse pago. O Corinthians joga o jogo que é proposto ao futebol brasileiro, assim como qualquer outro clube do Brasil.
Por fim, chama a atenção a ânsia por alguma ação punitiva, uma loucura indignada que abafa até o fato de um jogador do calibre do Memphis Depay chegar ao futebol brasileiro. Quando, todos sabem, o Corinthians já vem sendo punido por tomar más decisões administrativas há algum tempo - e seguirá sendo se os movimentos atuais não forem bem pensados.
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