Corinthians vende seu futuro e não é nem para salvar o presente
Opinião de Victor Godoy
11 mil visualizações 95 comentários Comunicar erro

Dia sim dia também o torcedor do Corinthians vê o clube tomar atitudes questionáveis pelo 'futuro' do Timão. Mas que futuro é esse?
Foto: Ronaldo Barreto / Meu Timão
Em 2023, o então presidente Duilio Monteiro Alves vendeu Pedro, principal prospecto da "geração 2006", por 9 milhões de euros, menos de 10% da multa rescisória de 120 milhões de euros. Agora, Augusto Melo disse ao Meu Timão que vai vender Denner, maior joia entre os nascidos em 2008, por 8 milhões de euros (mais bônus). O que mais me incomoda nesses acordos é que o Corinthians vende seu futuro e não vai salvar seu presente.
Muito se usa a expressão popular "vender o almoço para comprar a janta" para justificar essas vendas mal-formuladas. Vamos lá: em 2023, com todas as vendas (e ainda teve Róger Guedes, Murillo, Adson e companhia), o superávit foi de R$ 1,2 milhão. A dívida com empresários cresceu e o Corinthians seguiu com problemas para conduzir o futebol masculino profissional - e demais departamentos - em 2024.
Em 2024, foram 40 milhões de euros apenas com as vendas de Moscardo e Wesley para PSG, da França, e Al-Nassr, da Arábia Saudita, respectivamente. A projeção do ano é de déficit de R$ 237,8 milhões.
A venda do almoço garantiu a compra da janta?
Enfim, indo ao tema da coluna: Denner. A venda precoce é um erro da gestão Augusto Melo. Não existe margem para outra interpretação. Foi a gestão que formulou o primeiro contrato da joia com a multa irrisória - mesmo que atrelada ao contrato. Foi a gestão que, tendo noção dessa multa, decidiu utilizá-lo na Copinha. Também foi a gestão que não montou um planejamento para sistematicamente renovar o contrato da maior joia de sua categoria de base. E o Corinthians, isso é importante frisar, tinha noção dessa fragilidade da multa.
"Ah, mas era aceitar a oferta do Chelsea ou correr o risco de perder para um clube brasileiro." Qual empresário seria gente boa a ponto de, podendo retirar seu jogador do clube por R$ 10 milhões, decidiria tirar ele por mais de R$ 70 milhões. Ainda mais esse empresário tendo uma dúvida que não é paga há anos.
"Ah, mas o Corinthians tinha que pagar o Giuliano Bertolucci." Pagar uma dívida que consta no Regimento Centralizado de Execuções (RCE) e que, com um planejamento que será entregue à Justiça, seria paga de qualquer jeito?
"Ah, mas o jogador queria sair." O Corinthians, um dos maiores clubes do futebol mundial, não consegue negociar e manter um jogador de 16 anos - independente de seu calibre - em sua base?
Uma ressalva importante
O Corinthians possui muitos profissionais de excelência em diversos departamentos. Diversos nas categorias de base. Infelizmente, o clube, político como ele é, não dá espaço para esses funcionários nos espaços mais visados - tratando de base, nas categorias mais observadas pela mídia e pelos torcedores.
Uma pena, quem perde o Corinthians.
No fim, quem sempre perde é o Corinthians.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
Avalie esta coluna
Veja mais posts do Victor Godoy
-
Yuri Alberto crava idolatria no Corinthians com três títulos em um ano
-
Final mais importante do Corinthians no domingo começa uma hora antes que você imagina
-
Dorival Júnior truca o Corinthians em novela por contratação de Alisson, do São Paulo
-
O Corinthians de Breno Bidon
-
O recado que a promessa do Corinthians mandou à torcida e Ancelotti na Copa do Brasil
-
Romero merece uma despedida digna do Corinthians
