'O Corinthians tem que agradecer que o Zenit existe'
Opinião de Victor Godoy
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A venda do Pedro para o Zenit foi uma das maiores bisonhices da gestão passada
Foto: Rafael Ribeiro / CBF
A gestão Duilio Monteiro Alves foi, em geral, muito ruim para o ego do torcedor do Corinthians. Entre títulos perdidos, o horrível planejamento de elenco para 2023 e o desespero por recordes de receita, quem saiu perdendo, além do clube, foi o seu torcedor. Observando com um olhar de 2025, porém, talvez o que mais me incomode, junto da perda do título da Copa do Brasil de 2022 - esse diria que sem tanto dedo da gestão, mais por azar e falta de preparo psicológico - foi o papel de subordinado que o Corinthians criou com o Zenit, da Rússia.
Foram negócios no mínimo esquisitos envolvendo a compra de Yuri Alberto, que culminou na venda de Mantuan - então titular - por míseros 2 milhões de euros, a liberação de Robert Renan - iminente titular em 2023 - e, o mais bizarro: a transferência de Pedro, maior joia do clube, por apenas 9 milhões de euros, menos de 10% da multa rescisória de 120 milhões de euros, mantendo 30% dos direitos econômicos.
Na época, a venda foi chancelada pelo técnico Vanderlei Luxemburgo e de parte da torcida, que já tratava Pedro como "novo Lulinha" - algo que Duilio fez questão de ressaltar. "A gente (Corinthians) tem que agradecer que o Zenit existe", chegou a justificar o presidente durante uma entrevista à Gazeta Esportiva.
Pois bem: Pedro, aos 19 anos, é titular do Zenit - na poderosa liga russa, pouquíssimo observada especialmente após a guerra com a Ucrânia - e foi o principal jogador da Seleção Brasileira na conquista do Sul-Americano Sub-20, com dois gols e seis assistências em nove jogos, além de 23 passes para finalizações e 42 bolas recuperadas. Se estivesse no Corinthians, talvez o clube tivesse um atacante melhor no presente - e uma venda melhor no futuro.
Ufa, que bom que o Zenit existe!
No Corinthians até então tinham sido apenas 11 jogos na equipe profissional. Pedro nasceu em 2006, então, em teoria, era para estar atuando no Sub-17. Como joia que sempre foi, pulou para ser titular do Sub-20 e chegou ao time principal sendo amplamente elogiado. A oscilação é algo normal para a idade, mas a gestão presidida por Duilio parecia não enxergar assim.
Agora, resta ao Corinthians torcer para que o Zenit consiga vender Pedro por um valor extraordinário para receber algo para justificar o negócio. Contudo, vale o lembrete: Malcom, outro Cria do Terrão, foi o maior negócio da história dos russos, por 60 milhões de euros.
Em 2023, escrevi uma coluna falando que o Corinthians só vai crescer com a sua base quando expurgar o fantasma do Lulinha - é possível ler o texto clicando aqui. Isso envolve tanto oportunizar, quanto ter paciência e parar de enxergar base como custo. Ainda penso assim.
Em 2023, fiquei preocupado com as vendas de Pedro e Murillo. Em 2025, fico apreensivo sobre os futuros de Breno Bidon, Tchoca e Denner, joia que deve ser vendida ao Chelsea, da Inglaterra, por 8 milhões de euros.
Como diria Galvão Bueno: "não existe mais bobo no futebol". O Corinthians - ou pelo menos as gestões que passam por ele - parece que não sabe disso. Seria ele o bobo, então?
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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