Situações que preocupam a diretoria do Corinthians e devem refletir dentro de campo
Opinião de Vitor Chicarolli
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Pensativo, Andrés Sanchez acompanha Pedrinho disputando bola no CT. Garoto era a única esperança de lucrar nos próximos meses
Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians
Os bastidores do Parque São Jorge ficaram marcados por muita tensão nos últimos dias. Desde que o Meu Timão divulgou o déficit corinthiano de R$ 177 milhões em 2019, diversos problemas financeiros vieram à tona no Corinthians. E essa situação, particularmente, me preocupa muito.
A diretoria alvinegra já vinha encontrando dificuldades para sustentar o clube, que totaliza uma dívida de mais de R$ 700 milhões. Com a paralisação do futebol nacional pela pandemia do novo coronavírus, portanto, essa questão deve se agravar nos próximos meses.
Para pontuar: um clube costuma se manter com cotas de televisão, bilheteria, patrocínios, premiação por títulos ou boas classificações e também com vendas de jogadores. Pronto, agora vamos lá!
Sem jogos na Arena Corinthians desde o início de março, o Timão deixou de arrecadar com bilheteria (principal fonte para quitar o estádio), assim como deixou de lucrar com patrocínios, já que todos parceiros suspenderam ou cortaram seus pagamentos neste período sem esporte.
Como não há compromissos oficiais (nem treinos), a emissora responsável pelo futebol brasileiro, vulgo Rede Globo, também não acertou a última cota do Campeonato Paulista, tampouco a do Brasileirão, que nem sequer chegou a ser disputado.
Deixando de lado questões relacionadas à pandemia, vamos focar no que, teoricamente, não depende tanto da retomada das atividades: vendas de jogadores. Com a transferência de Pedrinho ao Benfica, de Portugal, não há perspectiva de uma grande venda nos próximos meses.
Léo Santos, Bruno Méndez, Carlos Augusto, Lucas Piton, Luan e Mateus Vital podem render bons frutos ao Timão. Mas não acredito que deixariam o clube por um valor tão expressivo assim. Isso sem citar a indefinição do mercado da bola, tendo em vista que até mesmo potências da Europa deixaram de arrecadar após o surto do coronavírus.
Por fim, o Corinthians também não teve sucesso nas últimas competições que disputou. Ficou na oitava colocação no Brasileiro de 2019, não avançou da segunda fase da Copa Libertadores nesta temporada e corre sérios riscos de ficar fora do mata-mata do Paulistão. Ou seja, também vem deixando de arrecadar com o insucesso nos torneios nacionais.
Com todos esses problemas, como a diretoria conseguirá quitar essa dívida praticamente bilionária (considerando o salgado valor da Arena Corinthians)? Certamente isso resultará em times mais fracos e menos competitivos nos próximos anos.
Em novembro terá eleições presidenciais e posso garantir que a próxima gestão terá muito trabalho pela frente.
Ah, não se esqueçam... Nos próximos 12 meses o Corinthians terá que acertar, pelo menos, R$ 239 milhões em dívidas. Como isso vai acontecer? É o que vem tirando meu sono nessa quarentena.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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