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Foi, foi, foi, mas acabou não 'fondo'
Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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Foi, foi, foi, mas acabou não 'fondo'

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Foi, foi, foi, mas acabou não fondo

Os times pequenos: o que aprender com a sina do revés?

Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Aconteceu com você também? Ontem à noite, confesso que deitei decidido a dormir logo. Afinal, tinha trampo pela manhã. Mas demorei pacas até dormir, envenenado com a derrota lá no Antônio Accioly.

Aí, nessas horas, sem autorização, liga-se o computador da memória de historiador. Era para a gente conseguir o tetra paulista em 1925. Foi, foi, foi, e acabou não "fondo" com a derrota para o Paulistano.

Esse "fondo", invenção gramatical divertida, vem do folclore futebolístico, em frases atribuídas a diversos craques do passado. Recordo dessa máxima popular sempre que me abalo com um fracasso.

Bem, falamos de 1925. Mas, em 1943, aconteceu de novo, um pontinho do São Paulo. Em 1946, mais uma frustração, um pontinho. E foi assim também em 1955, atrás do Santos. Sofremos uma derrota inexplicável, no Paca, para o Guarani. E esses pontos nos tiraram o título.

Fizemos timaços em 1967 e 1969. Parecia que ia, ia, ia, mas acabava não indo. De novo, em 1972, no Brasileirão, naquete terrível jogo contra o Botafogo, no Maracanã. E no Paulista de 1974, contra os palestrinos.

Em 1987, não ia, não ia, não ia; até que foi, foi, foi, mas acabou não fondo. Em diversas competições, aconteceu o mesmo, em 1993, 1994, 1999, 2000, 2001, 2010...

É evidente que há casos semelhantes em outros clubes. Ninguém eterniza favoritismo e boa fase não dura para sempre. Mas é notável nossa quantidade de malogros em fases decisivas. Meu pai sofreu tremendamente por 1967 e 1969, por exemplo. Arrancou os bigodes diante do rádio. Como era destro, pelava só o lado direito. Mais de uma vez, minha mãe precisou igualar na tesourinha.

Com a "modernidade", a partir do início da segunda década do novo milênio, a promessa era estabelecer hegemonia. E não era arrogância. Era o inevitável.

Afinal, o clube mais poderoso, com mais torcedores no estado mais rico da federação, precisa ter uma esquadra que sempre dispute o título. As regras de ciclos não devem servir para agremiações ricas e de multidão, como o nosso Coringão, dono de ativos tangíveis e intangíveis fabulosos.

Infelizmente, não é o que se tem visto por aqui, com oscilações injustificáveis, especialmente após 2017. Há anos, por exemplo, que vivemos de uma cultura tática de espera, reativa, sem marcar a saída do adversário. Ou não?

Entra técnico e sai técnico, e parece que esse costume está enraizado no departamento de futebol do clube, passando de uma leva a outra de jogadores.

Assim como é triste ver essa folclorização conformista das derrotas para clubes pequenos. Como ocorreu depois de se perder para um time que vinha de cinco derrotas seguidas. "Ah, o Corinthians é assim mesmo", como se fosse uma sina irremediável, da qual não pudéssemos fugir.

Também incomoda essa naturalização das derrotas para clubes inexpressivos nas fases de mata-mata da Libertadores, especialmente em casa. É o pensamento fatalista: "é desse jeito mesmo, não há o que se fazer". Como se a gestão eficiente e eficaz não pudesse lutar contra as tais forças sobrenaturais anticorinthianas.

Talvez seja preciso desfolclorizar e desnaturalizar os rituais de fracasso e analisá-los do ponto de vista da gestão. O que deu certo em 1914? Em 1916? Em 1930? Em 1954? Em 1983? Em 2012?

E rever erros organizacionais, estratégicos e de governança que nos meteram nos 9 anos de jejum (década de 1940), nos 22 anos de jejum (1974 a 1977) e nos tempos atuais, de oscilações, eliminações inacreditáveis, dívidas imensas, contratações erradas e descontinuação de protagonismo.

Muito vai da cabeça de certo torcedor médio, que é a mesma dos velhos cartolas. "Ah, perdemos, f..a-se, vamos tentar ganhar no próximo campeonato". É, pois, uma transição feita sem que se reflita sobre o fracasso.

O que nos leva a ter tantos resultados negativos recentes contra o Atlético Goianiense, por exemplo? É coisa do outro mundo? É a intervenção do além?

Uma opção de conduta é negar a ciência dos números, da administração, da psicologia, da medicina esportiva... A alternativa é pensar em como lidar estruturalmente com tudo isso, de forma profissional, e vencer esse nosso falso e mais frequente adversário: o acaso.

Vai, Corinthians!

Veja mais em: Corinthians x Atlético-GO.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Coluna do Walter Falceta

Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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    Antonio 45 comentários

    @antonio.jose.francov em

    Simples de explicar. Falta sangue no olho. Falta torcedor jogador em campo. Futebol mudou. Quem não se lembra do Ezequiel, Zé Elias, Henrique, Ronaldo e tantos outros. Torcedores em campo. Isso que falta. A maioria não entende que queremos ver o time com vontade só isso já basta. Essas derrotas e eliminações vem de desatenção e falta de foco. Não tem nada de sina. Estou muito puto. Temos que meter uns 4 neles na volta pra raiva passar. Bando de morto preguiçosos

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    Antonio 13097 comentários

    @acmiiller13 em

    Penso que o Corinthians - como instituição - nunca pensou grande... Exceção a 2000,2012... Como se não precisássemos ser conhecidos mundialmente... Precisamos sim... Precisamos de ter essa mentalidade de SER GRANDE... Somos Bi campeões mundiais e não por acaso... Chega de conformismo

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    Beto 128 comentários

    39º. @carlos.alberto63 em

    Dizem ter uma grande diferença entre Corinthians e Flamengo, por terem jogadores com rodagem internacional, e por isso era impossível uma virada. Grande besteira! O Atlético Paranaense, sem nada disso, deu um trabalho dos diabos pra eles em pleno Maracanã e tem chances de elimina-los na Copa do Brasil, e já fez isso até em épocas de JJ.

    Sim, o Flamengo é um timaço, mas o Corinthians perdeu pra si mesmo. Lembro da zaga do Flamengo no início do jogo aqui, entregando a paçoca, foram 3 chances desperdiçadas de maneira idiota, enquanto os volantes até então anulavam o Arrascaeta e o ataque do Fla.

    A doença desse time é só uma: O Ataque! Caro, cheio de egos, sem inteligência, e sem coletividade.

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    Thiago 1084 comentários

    38º. @thiago.santos560 em

    Se eu falar o que penso os nutellas caem aqui matando kkkkkk, postura ridícula de um time super forte ao menos no papel, time para arrastar campeonatos

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    Marcos 7696 comentários

    37º. @garanha em

    Muito bom, como sempre. Definiu bem e desmistificou o acaso nos resultados frustrantes, avaliando a nossa perene falta de profissionalismo e governança. A gestão científica e técnica passa longe de nosso clube.

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    Rogélio 15423 comentários

    36º. @rogelio.garcia1 em

    Um dos problemas das derrotas para times pequenos são dois:
    O 1° é o menosprezo para o adversário, do tipo, Camisa Ganha Jogo;
    2° cabe lembrar que os times pequenos "dão a vida" contra os times grandes, e em especial, o Corinthians...
    Portanto, devemos jogar, todos os jogos com humildade e Sangue nos Olhos.

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    Felipe 3354 comentários

    35º. @felipe.jacintho em

    O Corinthians tem um ataque com nomes de peso e uma ineficácia do mesmo peso, esses jogadores precisam começar a jogar um futebol equivalente aos valores dos salários que recebem.