Eduardo Miranda
Este texto é longo. Deu trabalho para escrever, pois envolveu muita pesquisa.
Foi escrito com um misto de indignação pela nossa situação atual e amor ao Corinthians.
Espero que gostem!
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Outro dia eu estava pensando onde, quando e como foi que o Corinthians foi deixado para trás pelos rivais.
Comecei a matutar e levantar algumas informações para entender o que pode ter acontecido entre o nosso auge (2012) e o auge dos rivais (hoje).
São dois ângulos de análise:
- Indicadores de Performance (desempenho esportivo e financeiro) entre 2012 e 2021;
- Perfil do Corpo Diretivo dos Clubes.
Vamos aos dados e fatos:
1. Indicadores de performance dos Clubes (2012 / 2021)
CORINTHIANS
Desempenho esportivo
- 2012: Campeão da Libertadores e do Mundo
- Hoje: Está desde 2017 sem conquistar um título de grande expressão
Receitas
- 2012: Líder do ranking brasileiro: R$ 358 milhões*
- Hoje: Cresceu 1,41 vezes no período, indo a R$ 505 milhões**
Dívidas
- 2012: Controlada para a época: R$ 177 milhões*
- Hoje: Cresceu 5,44 vezes no período, chegando a R$ 963 milhões (não considera a Arena)**
Palmeiras
Desempenho esportivo
- 2012: Recém rebaixado à Série B do Brasileirão
- Hoje: Multicampeão - 2x campeão da Libertadores (2020 e 2021), campeão Brasileiro 2022 e da Copa do Brasil 2021
Receitas
- 2012: 4ª receita do futebol brasileiro: R$ 241 milhões*
- Hoje: Cresceu 3,78 vezes no período, indo a R$ 911 milhões**
Dívidas
- 2012: R$ 287 milhões* e perspectivas de queda de receita pela Série B
- Hoje: Cresceu 1,56 vezes no período, chegando a R$ 449 milhões**
Flamengo
Desempenho esportivo
- 2012: Coadjuvante do futebol brasileiro, 11º colocado do Brasileirão de 2012
- Hoje: Multicampeão – 2x campeão da Libertadores (2019 e 2022), 2x campeão Brasileiro (2019 e 2020) e da Copa do Brasil (2022)
Receitas
- 2012: 6ª receita do futebol brasileiro: R$ 212 milhões*
- Hoje: Cresceu 4,97 vezes no período, indo a R$ 1,054 bilhão**
Dívidas
- 2012: Representava mais que 3,5 vezes a receita: R$ 741 milhões*
- Hoje: Diminuiu 1,64 vezes no período, chegando a R$ 450 milhões**
Fontes:
* Relatório Consultoria BDO 2013 (pesquisar por “2013_AGO_BDO_Livreto das marcas.indd” no Google)
** Relatório Convocados XP Investimentos 2022 (pesquisar por “Relatorio-Convocados-XP-2022.pdf” no Google)
Nota: Sim, entre 2020 e 2021 tivemos a pandemia, mas ela atingiu fortemente a economia como um todo e não deve ser considerada como fator atenuante dos números nestas análises.
2. Perfil do Corpo Diretivo dos Clubes
Perfil dos presidentes dos três Clubes no período analisado:
CORINTHIANS
2012 - 2015: Mario Gobbi (delegado de polícia)
2015 - 2018: Roberto de Andrade (sócio de concessionária de veículos)
2018 - 2021: Andrés Sanchez (empresário e político)
2021 a atual: Duílio Alves (empresário do setor de bares e restaurantes)
Palmeiras
2013 - 2016: Paulo Nobre (empresário do mercado financeiro)
2016 - 2021: Mauricio Galliote (empresário da indústria de chaves e fechaduras)
2021 a atual: Leila Pereira (empresária do mercado financeiro)
Flamengo
2013 - 2018: Eduardo Bandeira de Mello (ex-executivo do BNDES)
Apoiado por: Luiz Eduardo Baptista (presidente da Sky Brasil), Carlos Geraldo Langoni (ex-Banco Central), Flávio Godinho (executivo do Grupo EBX) e Zico.
2019 a atual: Rodolfo Landim (ex-executivo da Petrobrás)
Conclusões
1. O óbvio: Corinthians foi o clube que teve o maior declínio esportivo e financeiro. Palmeiras e Flamengo tiveram crescimentos semelhantes nas duas áreas.
2. Durante esse período os três clubes foram geridos pelo mesmo grupo político, não houve alternância. Isso sustenta a tese de que não basta a simples troca de um grupo político para as coisas melhorarem.
3. O Corinthians teve mais alternância de presidentes no período. A tese de que a democracia e a alternância do poder por si só garantem o sucesso da gestão é uma falácia. Tanto Palmeiras quanto Flamengo tiveram sucesso porque a gestão estava comprometida com o plano de recuperação do clube (Nobre + Galliote no Palmeiras e Bandeira de Mello no Flamengo).
4. Palmeiras e Flamengo tiveram insucessos esportivos nos seus primeiros anos de recuperação (2013 a 2017) e só foram colher os frutos no longo prazo (após 2018).
5. Diversificação de receitas:
- Palmeiras: quatro fontes de receitas: patrocínios, venda de atletas, bilheteria e direitos de transmissão;
- Flamengo: quatro fontes de receitas: patrocínios, venda de atletas, bilheteria e direitos de transmissão;
- Corinthians: três fontes de receitas: patrocínios, venda de atletas e direitos de transmissão. Além de não contar com a bilheteria dos jogos, o clube ainda precisa arcar com as parcelas de pagamento da Arena.
6. O compromisso individual dos gestores para com o clube contou e muito para a sua recuperação. Paulo Nobre colocou dinheiro do bolso para reestruturar as finanças do Palmeiras. Bandeira de Mello implementou métodos profissionais na gestão do clube e nas categorias de base. Seus sucessores deram sequência ao plano iniciado.
7. Qualificação dos dirigentes: Palmeiras e Flamengo tiveram neste período dirigentes com larga experiência e bagagem do mundo empresarial e que aplicaram seus conhecimentos e rede de relacionamentos em prol da recuperação dos clubes. No paralelo, o Corinthians foi gerido por dirigentes cuja experiência contrasta com os seus pares.
Resumo Final
Copiar o modelo dos dois rivais não garante o nosso sucesso, porém, o caminho das pedras está aí.
Enquanto o Corinthians for gerido como um Clube de Campo ou uma Colônia de Férias, as coisas não irão mudar.
O que os nossos rivais mostraram é que as coisas não melhoram sem uma Diretoria que tenha um plano estratégico muito bem definido, gerido por pessoas profissional que tenham conhecimento de gestão empresarial e que, acima de tudo, tenham amor pelo clube, coragem em fazer o que precisa ser feito e coloquem seus interesses pessoais em segundo plano.
O que nós torcedores podemos fazer para colaborar neste processo? Vamos trocar ideias nos comentários.
Salve(m) o Corinthians!
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