Fernando Petroni
Há não muito tempo, muitos discutiam se o Corinthians deveria ou não ser um clube empresa. Apesar das diversas opiniões, ficou claro que alguns torciam para isso. Como sabemos atualmente, grandes empresas estão sendo geridas dentro de preceitos baseados em três letras – ESG.
O E vem de Environmental (Ambiental), o S de Social (Social) e o G de Governance (Governança). Como perceptível, nenhuma empresa que quer ser grande pode atuar longe desta sigla.
Dito isso, acho curioso uma parte da torcida do Corinthians achar que o clube pode contratar profissionais que estejam desalinhados com boas práticas de Governança e, principalmente, Sociais.
Indo um pouco mais além, patrocinadores (quem emprega dinheiro em uma marca esperando retorno) ou consultorias têm como diretriz não exercerem atividades em empresas que estejam fora de seus padrões, isto é, o de respeito aos Direitos Humanos. E isto não é apenas para ESG. Isto serve para financiamento de obras, sejam privadas ou não, como os Padrões de Desempenho sobre Sustentabilidade Socioambiental da International Finance Corporation (IFC).
Apesar de alguns acharem que os “Direitos Humanos” são restritos e que tendem a beneficiar somente pessoas presas, é possível identificar em nosso dia a dia o que a expressão engloba como, por exemplo, casos de trabalho escravo, desrespeito a PcD, fomentação da disparidade entre mulheres e homens e, claro, ódio e preconceito contra todas as possíveis manifestações de sexualidade (GLBTQAI+).
Atualmente, empresas que buscam manter seu Status e seu alinhamento com o tema da moda, o ESG, ou com Padrões de Desempenho ou, ainda, com os Direitos Humanos não podem compactuar com instituições que não estejam fomentando e interligadas aos seus valores.
A KPMG, por exemplo, empresa com contrato com o Corinthians, possui em seu site uma área somente de informações relacionadas ao S (Social), onde é possível identificar temas como:
&Bull; O Dia Internacional da Mulher
&Bull; Equidade de gênero: um debate essencial
&Bull; Financiamento para o empreendedorismo feminino
A mesma KPMG tem em seu site seu conceito de ESG: “A construção de um mundo inclusivo, ético e ambientalmente sustentável, que garanta qualidade de vida para todos, depende da habilidade das empresas em desenvolver e implementar práticas de negócios que alinhem lucro, propósito e transparência”.
Muitos podem dizer que a KPMG não investe no Corinthians, isto é, não patrocina. Contudo, uma questão pode ser levantada: como fica a imagem de empresas associadas à outra que contrata um técnico com passado comprovadamente criminoso?
A contratação do Cuca não é sobre um técnico. Não é só sobre futebol. É sobre como uma empresa se posiciona no mercado. É como podemos jogar a história do clube, a luta de jogadoras como Tamires, Gabi Zanotti, Gabi Portilho e Cris Gambaré... (desculpe não citar todas, não há espaço) na bacia das almas, como se a luta delas não fosse a de nossas avós, mães, esposas e filhas.
Como é possível apoiar um clube que não presa pela própria história e pelos seus/suas funcionários/as? Como posso dizer para minha filha que o Corinthians compactua com uma pessoa acusada de estuprar uma menina de 13 anos?


