Lúcio Dias
Do lado de cá da linha férrea estava lotado.
Nem tanto de vivos presos num puro sofrimento, mas de desencarnados, que numa outra esfera de tempo, já não sofriam mais.
Houve uma eternidade entre o apito que ordenou com que a bola fosse para a marca da cal até a apoteose da épica defesa.
Minutos intermináveis.
Já próximo do fim da partida, muita fumaça. Torcida em êxtase.
Os deuses do futebol tiraram o gol do nosso atacante para que o estádio não viesse abaixo.
Do lado de lá, silêncio.
Do nosso lado, a esperada felicidade!
De repente, garrafas, pedras e copos começaram a voar em nossa direção.
Em poucos segundos, rojões espocaram sem dó nem piedade.
Caos, correria, tensão. Um dos nossos foi ferido.
O motivo?
Alguém começou a entoar o “tá chegando a hora”...
Numa batalha por motivos torpes, não há vencedor, só vencidos.
Mas a nossa luta não vai parar jamais!

