Diego Julio
A Nike acionou em dezembro a cláusula de renovação automática do contrato com o Corinthians, prorrogando a parceria até o fim de 2029. O vínculo, válido desde 2018, previa a extensão por mais quatro anos caso a empresa se manifestasse antes do prazo — o que foi feito por meio de carta registrada e e-mail enviados à diretoria alvinegra. Apesar da renovação, o clima entre as partes não é de celebração.
A Fisia, representante da Nike no Brasil, se viu “obrigada” a acionar a cláusula por falta de resposta do clube, mesmo discordando das condições do contrato original, considerado defasado. O Corinthians, por sua vez, notificou a Nike alegando que a Fisia não seria sua representante legal e tenta anular a renovação. A empresa, no entanto, está disposta a ir à Justiça para garantir o cumprimento do contrato.
O clube, que vinha conduzindo negociações com a Fisia em 2024, perdeu a chance de renegociar os termos antes da renovação e agora está preso a um acordo de 2017, com cláusulas rígidas e limitações que impedem, por exemplo, a fabricação e venda independente de produtos. Além disso, qualquer tentativa de rompimento dependerá de comprovação de descumprimento contratual, já que não há cláusula de rescisão com multa.
Mesmo com os entraves, a renovação eleva os valores pagos ao clube: a Nike passará a repassar 25% do lucro líquido nas vendas, além de 6,2 milhões de dólares por ano como remuneração fixa. A empresa também arca com bônus por títulos e tem direito a aplicar descontos em caso de desempenho ruim do time ou rebaixamento. O Corinthians ainda deve milhões à Nike por obrigações não cumpridas e espera negociar ajustes até o fim de 2025, quando o novo ciclo se inicia.
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