Marcelo Saad
No caso do comitê de Governança, isso de apenas os maiores investidores fazerem parte, já foi revisto.
O risco de não captar não causará prejuízo ao Clube, então porque não pagar para ver, já que não vai pagar nada.
em Bate-Papo da Torcida > Por que não endosso a SAFiel do Corinthians - Rodrigo Capelo...
Em resposta ao tópico:
Li hoje o texto do Rodrigo Capelo sobre a SAFiel, publicado no Blog do Paulinho — e que texto, senhores.
Críticas bem estruturadas, sem paixões, sempre ajudam. Não importa se concordamos integralmente ou não: bons argumentos nos fazem refletir, questionar e amadurecer qualquer projeto.
Que o Corinthians precisa caminhar para uma SAF, para mim é indiscutível. Quem ainda não enxerga isso talvez precise estudar melhor o tema e entender o cenário financeiro e político do clube. Agora, acreditar que a SAFiel é a solução mágica para todos os problemas… aí já é outra história.
1) A crítica que menos concordo
Capelo diz que a SAFiel optou por ganhar a torcida primeiro, pressionar de fora para dentro, criando uma narrativa de “nós contra eles” em relação aos sócios e conselheiros. Segundo ele, isso seria um erro estratégico.
Eu discordo, embora entenda o ponto.
A SAFiel simplesmente não tinha portas abertas lá dentro. Se não houvesse pressão popular, dificilmente seria ouvida. Fica claro que o Parque São Jorge prefere manter o controle sobre um Corinthians quebrado do que abrir mão de poder em troca de um Corinthians profissional e forte.
2) Comitê de Governança, só os milionários votam.
Aqui eu concordo com Capelo.
Hoje, só quem investir mais de R$ 2 milhões pode participar do Comitê de Governança. Ou seja: poucas pessoas com muito dinheiro terão poder de decidir quem pode ou não concorrer aos cargos — e nós, torcedores comuns, só poderemos votar no que esse grupo pré-aprovar.
O discurso de “futebol do povo” fica pela metade.
Na minha visão, um modelo mais equilibrado incluiria:
✔ cadeiras para grandes investidores
✔ cadeiras para investidores médios
✔ cadeiras para torcedores comuns
✔ e pelo menos uma cadeira para o clube social, que ainda teria 49% da SAF
Senão, corremos risco de trocar um grupo fechado por outro grupo fechado, apenas com CPF diferente. Seria melhor do que hoje? Sem dúvidas, mas não acho que devemos trocar um modelo ruim, por um menos ruim. Se vamos trocar, já vamos do ruim para o ótimo.
3) Risco real de não captar o dinheiro
A captação prevista é inédita no futebol mundial. Capelo questiona, com razão, se esse dinheiro realmente virá. A resposta da SAFiel é que, se não captar, o projeto simplesmente não anda e “ninguém perde”.
Mas perde sim, tempo, engajamento e a oportunidade de discutir SAFs realmente viáveis.
Eles dizem ter estudos que comprovam a viabilidade, mas… alguém viu?
Onde estão esses números?
Quantos investidores já sinalizaram compromisso?
Se houvesse uma carta-compromisso de, digamos, 50 investidores garantido R$ 2 milhões cada, eu veria tudo com mais otimismo.
Conclusão
Eu gosto da ideia da SAFiel. Acho ousada, organizada e com intenção positiva. Mas precisa evoluir, precisa ouvir críticas, precisa depurar conceitos e, principalmente, precisa se aproximar dos sócios, que hoje são os únicos com poder real de decisão.
Se tratarmos o projeto como perfeito e intocável, ele morre. Se tratarmos como algo que pode e deve amadurecer, aí sim tem chance.
Para quem quiser ler o texto do Capelo, deixo o link:
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