Marco M
A decisão de Osmar Stábile de prometer 50% da premiação da Copa do Brasil aos jogadores do Corinthians se tornou um símbolo de como a gestão pode agir de forma temerária quando ignora a realidade financeira do clube. A diretoria sabia, ou deveria saber, que metade de qualquer valor recebido seria automaticamente retida pela Caixa Econômica Federal por causa das garantias dadas na renegociação da dívida da Neo Química Arena. Esse mecanismo de bloqueio não é surpresa, não é excepcional e não depende de interpretação: está previsto em contrato. Ainda assim, mesmo ciente de que apenas metade da premiação entraria no caixa, Stábile comprometeu exatamente essa metade com o elenco, criando uma obrigação milionária sem que houvesse liquidez para cumpri‑la.
O resultado é paradoxal. O Corinthians foi campeão, mas financeiramente não ganhou nada. A Caixa reteve sua parte, como previsto, e o restante já estava prometido aos jogadores. O clube, que acumula dívidas que ultrapassam R$ 3 bilhões, não viu um centavo líquido entrar para aliviar o fluxo de caixa, reduzir passivos urgentes ou evitar novos bloqueios e transfer bans. Do ponto de vista econômico, o vice-campeonato teria sido menos danoso: a premiação seria menor, mas como não havia promessa de repassar metade aos atletas, o Corinthians ficaria com 50% do valor recebido, em vez de zero. É duro admitir isso esportivamente, mas financeiramente é inegável.
Quando um dirigente toma uma decisão que, na prática, impede o clube de se beneficiar de uma conquista esportiva e ainda cria obrigações que ele não tem como honrar, ele age contra o interesse econômico da instituição. Em um clube com dívidas bilionárias, cada receita extraordinária deveria ser tratada como prioridade absoluta para reorganizar as contas, não como moeda de troca política ou instrumento de apaziguamento interno. A gestão de Stábile, ao prometer um dinheiro que já estava comprometido, expôs o Corinthians a mais um ciclo de desequilíbrio, mostrando como escolhas mal planejadas podem transformar até um título em um problema financeiro
em Bate-Papo da Torcida > Osmar Stábile é um gestor temerário. Salvem o Corinthians!

