Rogério Cavalcante
Ela não tem culpa do seu desempenho a frente do Levante, não! Aí na meteria falou do Levante pós ela, que depois dela foram 14 derrotas em 17 jogos! Mas também tem o Levante uma droga antes dela! Ela assumiu uma buxa ao assinar com o Levante! O time vivia e pelo que parece ainda vive uma profunda crise financeira, e valores destinadas ao feminino foram significativamente reduzidos, e principais jogadoras saíram do clube, e até a comissão técnica abandonou o time indo embora pela grave crise que passava o time! Então ela foi contratada para fazer um trabalho, tipo apanhar água com uma peneira!
em Bate-Papo da Torcida > O recorte que estão fazendo de Emily Lima tem 7 anos de desinformação
Em resposta ao tópico:
Antes de mais nada, tenha um pouco de humildade e se questione se talvez você não saiba de algo
Por que uma treinadora que teve números terríveis nos últimos 8 anos recebe tantas oportunidades?
Treinar o Corinthians, ser a primeira brasileira a comandar um time na elite europeia, convidada para ser a coordenadora na seleção (cargo agora ocupado pela Cris Gambaré). Todo mundo é sic? Não duvido da burrice de ninguém, mas algumas coisas fundamentais não foram mencionadas
Para clarear meu ponto, vou dividir em:
Formação e últimos anos no Brasil X O verdadeiro trabalho dela no Equador e Peru (onde ela esteve cerca de 7 dos últimos 8 anos)
Indo pelo mais simples e cronológico, formação e últimos anos no Brasil:
- Licença PROCBF
- Licença PROConmebol
- UEFAPRO
- Formação em Gestão Esportiva, além de cursos relacionados
Ter as licenças ou não, pouco importa, mas explica algumas coisas do passado. Em 2016, ela era considerada uma treinadora “moderna”.
Mesmo perdendo a final da Copa do Brasil para o Corinthians/Audax, o São José jogava de forma bonita e organizada, o que levou ao convite para a seleção brasileira. Se já era para Arthur Elias estar lá, isso é outra história
O ponto é que ela não durou muito, depois foi para o Santos, ganhou seu primeiro título (Paulista 2018, contra o Corinthians), pegou vice na Libertadores e depois migrou para o Equador. A maior parte da torcida sabe disso. O importante é o que vem a seguir
Tanto o trabalho no Equador quanto no Peru tem algo em comum: não existia de fato futebol feminino. Mas como não existia? Entramos em um tema que é algo diferente e difícil de visualizar
Para você ter uma ideia, a primeira liga profissional no Equador começou em 2019. No Peru, a situação foi praticamente a mesma
Mas por que citam ela apenas como treinadora do Equador e Peru? Ela acumulou funções de coordenadoria metodológica (Sub-17, Sub-20 e, no Peru, criação da Sub-15, além da seleção principal).
Conduziu praticamente tudo: organização das categorias de base, modelo de jogo unificado entre base e principal, profissionalização das atletas, criação de centros de treinamento exclusivos e estruturação das seleções femininas
Tanto no Equador como no Peru, ela conseguiu avanços inéditos. Não é nada razoável cobrar ou esperar que essas seleções passem a ganhar jogos, porque isso é fora da realidade delas, ao menos pelos próximos anos
Por exemplo, o que é mais relevante, não pra você, mas para o futuro do futebol no país: o Peru com ela conseguiu a primeira vitória da seleção principal em 4 anos. Legal. Mas as classificações para fases finais de Sul-Americanos Sub-17 e Sub-20, nesses países, é muito mais relevante. Porque nesses países o futebol está se construindo agora, a realidade delas é de um início de projeto de futebol profissional no país
Sequer é possível fazer uma comparação absurda com o masculino, nem pegar um dos maiores treinadores da história e colocar pra treinar a Bolívia numa Copa América, porque a Bolívia tem liga desde os anos 70
A real é que o trabalho que ela fez ali beira o ativismo. É muita sacanagem que isso, 7 anos de um trabalho tão amplo e importante, se converta num grande lixo, como estão dizendo
O legado que ela deixou (construção de base, unificação metodológica, profissionalização) não é pouca coisa e não pode ser feito por qualquer uma!
Agora, o Levante. Os 2 meses de trabalho foram uma vergonha, fato!
Mas quem diz que o time melhorou drasticamente depois que ela saiu está mentindo. Sofascore está aí para quem quiser conferir: desde a saída dela são 17 jogos, 14 derrotas. Não anula a responsabilidade dela, que é toda. Mas isso tem que ser considerado
Com ela no Corinthians eu espero que a base ganhe alguma utilidade, no campo um jogo mais ofensivo e de aproximação. Muita disciplina, dentro e fora de campo, porque a Emily é linha dura
Eu sei que o torcedor está preocupado porque ama o Corinthians, mas eu digo: ela não é esse lixo que ficou parecendo. É uma profissional muito mais completa do que parece e muitas coisas dentro e fora de campo vão melhorar!