Leo Gomes
A trajetória do Corinthians no último ciclo reflete um processo de estagnação técnica e administrativa que o distanciou do protagonismo financeiro de Flamengo e Palmeiras. Ao analisar a soma de pontos do campeonato brasileiro desde 2018, fica evidente que o clube sobreviveu na elite mais pela mediocridade geral do que por méritos próprios, figurando no final da lista dos times que nunca caíram no período. Com 435 pontos acumulados, o Timão apresenta uma média inferior a 55 pontos por temporada, o que o coloca numericamente mais próximo de equipes que frequentaram a Série B, como o Athletico-PR e o Fortaleza, do que do pelotão do topo da tabela. Essa pontuação escancara a transformação de um antigo 'bicho-papão' em um coadjuvante de meio de tabela, que muitas vezes priorizou a luta contra o rebaixamento ou a busca por vagas secundárias em vez da disputa real por taças.
Essa falta de fôlego no campeonato de pontos corridos é o sintoma de uma crise de identidade que se arrasta há quase uma década. Enquanto seus rivais diretos empilharam recordes e pontos, o Corinthians viu sua competitividade ser corroída por dívidas crescentes e elencos desequilibrados, resultando em campanhas que pouco empolgaram a Fiel torcida. O impacto desse declínio é histórico e simbólico: a temporada de 2026 marca o maior jejum de títulos do Campeonato Brasileiro desde que o clube conquistou sua primeira estrela nacional em 1990. Nunca, desde que o Corinthians entrou para o rol de campeões do Brasil, a Fiel passou tanto tempo sem celebrar a hegemonia do país, consolidando um período de seca que desafia a grandeza da instituição.
Salvem o Corinthians!
em Bate-Papo da Torcida > A mediocridade estatística e o maior jejum brasileiro da era moderna