Thiago Henrique
Paulo Manssini é Palmeirense
em Bate-Papo da Torcida > Jornalista diz: "Dá para ser civilizado em Itaquera".
Em resposta ao tópico:
Ontem, o jornalista Paulo Massini, do programa G4 da Band, tentou elogiar a Neo Química Arena e acabou cometendo um deslize infeliz. Ao dizer que 'dá para ser civilizado em Itaquera', ele, mesmo sendo uma pessoa educada na maior parte do tempo, deixou escapar um preconceito grave.
A frase sugere que, em Itaquera e na Zona Leste de São Paulo, a regra seria a falta de civilidade. Como se, do outro lado da cidade, na Barra Funda, bairro do estádio do Palmeiras, vivesse a verdadeira civilização — herdeira de uma suposta tradição europeia.
É um pensamento equivocado e perigoso. Primeiro, porque reduz um bairro inteiro a um estereótipo. Depois, porque ignora fatos recentes.
Vejamos o lado de quem frequentemente é tratado como exemplo de 'civilidade' no futebol paulista. O técnico do Palmeiras, que se autodenomina 'europeu', tem um histórico nada exemplar: 14 expulsões, declarações machistas contra uma jornalista da BandNews (silenciosamente aceitas pela presidente do clube), xingamentos a uma bandeirinha, chutes em garrafas e gestos obscenos. Tudo isso tratado com compreensão pela mídia. Afinal, é europeu.
E os torcedores 'civilizados' da Barra Funda? Em outubro de 2024, na rodovia Fernão Dias, uma emboscada terminou com um ônibus da torcida do Cruzeiro incendiado e um torcedor morto. Só nos últimos anos, no Allianz Parque: gestos racistas (imitação de macaco) contra torcedores do Cerro Porteño, cabeças de galinha jogadas no gramado, briga generalizada provocada por gandulas, spray de pimenta em campo e até um enxame de abelhas ignorado pela diretoria por horas antes de uma final.
Nada disso significa que em Itaquera tudo é perfeito. Lá também acontecem problemas graves, como em qualquer estádio. Mas a questão é outra: selvageria não tem endereço fixo. Não mora na Zona Leste nem na Barra Funda. Ela mora nas pessoas. E pessoas mal-educadas, violentas ou preconceituosas existem em todos os bairros, em todas as torcidas, em todas as classes sociais.
Ser civilizado não é questão de CEP. É questão de escolha.