Miguel Baralhas
Faz um resumo por favor
em Bate-Papo da Torcida > Porque os jornalistas - influenciadores não querem a renovação de...
Em resposta ao tópico:
Há um tipo de amor que consola. E há um tipo de ódio que vigia. O Corinthians, coitado, não tem o primeiro. Vive cercado do segundo. Não é só rivalidade, não é só futebol. É uma coisa mais funda, mais suja, mais humana. É o prazer de ver o outro tropeçar — e, se possível, cair de boca no chão.
E aí entra a figura do jornalista-torcedor. Esse personagem moderno, que jura neutralidade, mas carrega no peito um escudo invisível. Ele comenta com a razão, mas sangra pelo clube. E quando o assunto é o Corinthians, ah… aí a máscara escorrega.
Memphis virou mais do que um jogador. Virou um teste de caráter. Ou, no mínimo, de honestidade intelectual. Renovar ou não renovar? Eis a questão. Uma dúvida legítima, complexa, cheia de números, bastidores e riscos. Mas o que se vê por aí não é análise. É torcida disfarçada de argumento.
Não se enganem: tem gente que não quer saber se o contrato é caro, se o rendimento caiu, se o vestiário aprova. Nada disso importa. O que importa é uma coisa só: o Corinthians enfraquecido.
E eles falam. Falam muito. Falam com convicção, com dados, com aquela segurança de quem parece estar salvando o clube de um erro histórico. Mas, no fundo, no fundo, o desejo é outro. É ver o Corinthians menor. Menos competitivo. Menos temido. Menos Corinthians.
O palmeirense olha e pensa: “Melhor não renovar”. O são-paulino concorda: “É um risco”. O flamenguista completa: “Não vale o investimento”. E assim se constrói um consenso — bonito, redondo, quase convincente. Mas é um consenso que nasce do incômodo.
Porque o Corinthians incomoda. Sempre incomodou. Até quando está mal, ele incomoda. Até quando tropeça, ele faz barulho. É um clube que não sabe morrer em silêncio. E isso irrita.
Então, quando surge uma decisão grande, como a renovação de um nome de peso, aparece a oportunidade perfeita. Não é preciso atacar frontalmente. Basta “questionar”. Basta “ponderar”. Basta levantar dúvidas — muitas dúvidas.
E dúvida, no futebol, é veneno. Vai entrando devagar, minando a confiança, criando rachaduras. O torcedor começa a pensar: “Será que vale mesmo? ” E pronto. O estrago está feito.
Mas repare: essas mesmas vozes, tão críticas, tão prudentes, tão cautelosas… onde estavam quando outros clubes fizeram apostas arriscadas? Onde estava essa preocupação toda com finanças, com vestiário, com planejamento?
A régua muda. O tom muda. A paciência muda.
Com o Corinthians, não há margem para erro. Ou melhor: há, mas o erro é sempre amplificado. Um tropeço vira crise. Uma dúvida vira caos. Uma renovação vira escândalo.
E não é só rivalidade, não. Seria até mais honesto se fosse só isso. O problema é mais profundo. É quase uma implicância existencial. O Corinthians representa um tipo de poder que não se explica só com dinheiro ou títulos. É popular, é barulhento, é passional. E isso, para muita gente, incomoda mais do que devia.
Então, quando dizem que não querem a renovação do Memphis, não é só sobre futebol. É sobre enfraquecer um símbolo. É sobre evitar que o Corinthians tenha mais uma peça forte, mais uma chance de reagir, mais uma faísca de grandeza.
E o torcedor, que não é bobo, sente. Pode não saber explicar, pode até concordar em partes, mas lá no fundo ele desconfia. Ele percebe o tom, o olhar, a intenção.
Porque o corinthiano já apanhou demais para ser ingênuo.
No fim das contas, a discussão sobre Memphis é legítima. Claro que é. Futebol não é religião, não é dogma. Dá para ser contra, dá para ser a favor. O que não dá é fingir que todo mundo está jogando limpo.
Não estão.
Alguns querem o melhor para o Corinthians. Outros querem o melhor para si — e, por consequência, o pior para o Corinthians.
E isso, meu amigo, não se resolve com argumento. Se resolve com resultado. Porque no futebol, como na vida, a verdade não está no que dizem. Está no que acontece.
E quando o Corinthians levanta, quando ele responde, quando ele cala a boca de meio mundo… aí sim, aparece o silêncio. Um silêncio constrangedor, quase triste.
Porque o pior pesadelo deles não é o erro do Corinthians.
É o acerto.