Anne F
No domingo (3) o Corinthians perdeu de 2x1 do Mirassol, marcado por uma arbitragem polêmica, o encontro de dois treinadores com filosofias parecidas resultou na primeira derrota do Diniz sob comando do Coringão. O time que até o apto inicial ocupava a última posição do campeonato, teve menos posse, finalizações e desarmes, mas não esteve perto de perder o jogo nem um minuto sequer.
Vou discorrer sobre os motivos que, na minha visão, explicam a derrota.
Faltou Garro
Na coletiva, Fernando Diniz atribuiu o resultado à falta de concentração e energia. Ainda assim, os números indicam um Corinthians mais combativo: desarmando, interceptando e recuperando mais bolas que o adversário, além de vencer a maioria dos duelos no chão e 71% das disputas aéreas.
Desde a chegada de Fernando Diniz, Rodrigo Garro, tornou-se o centro da construção do Corinthians. A ideia é concentrar, no meia argentino, o maior número de decisões ofensivas para potencializar o coletivo. Contra o Mirassol, isso não aconteceu.
Se contra o Peñarol Garro foi o jogador com mais ações com a bola depois dos jogadores da linha defensiva, desta vez terminou como o meio-campista com menor participação. Allan, Matheus Pereira e Breno Bidon estiveram muito mais envolvidos no jogo, mesmo com o camisa 8 recuando mais para buscar a bola.
Quando participou, Garro também esteve menos presente no campo de ataque. No jogo da Libertadores, 82% (42/51) das suas tentativas de passes aconteceram no campo adversário; já contra o Mirassol, esse número caiu para 62% (20/32). Além disso, o RG8 em que estamos acostumados a ver forçando (até demais) o último passe, errou mais mesmo jogando em zonas menos decisivas.
Faltou aproximação
Na transmissão parecia que o portador da bola não tinha opção fácil. Se contra o Peñarol o Corinthians apresentou a chamada “paralela cheia”, com vários jogadores ocupando a mesma faixa do campo, o cenário contra o Mirassol foi o oposto: os meio-campistas atuaram distantes entre si, o que lembrou o time do Dorival com pouca fluidez da criação e dificuldade na progressão ofensiva.
Faltou Raniele na volância
Ao comparar as posições médias dos jogadores, dá para reparar que os laterais e os atacantes mantiveram comportamentos semelhantes, mas a dinâmica do meio-campo mudou significativamente.
Com Raniele, jogadores como Bidon e André avançam mais. Sem ele, Allan e Matheus Pereira atuaram praticamente alinhados, ocupando o mesmo espaço e, em muitos momentos, parecendo dividir a mesma função.
Durante a transmissão, a minha impressão era justamente essa: dois jogadores executando um papel que, idealmente, seria de um só. Resta a dúvida se isso ocorreu por falta de ajuste tático ou porque Raniele entrega a proteção que usualmente precisa-se de dois jogadores para fazer.
Eu tendo acreditar que Raniele tem uma presença muito acima, a nível de comparação: na última noite de Libertadores, Rani teve 14 ações defensivas no jogo, enquanto a dupla de volantes Allan e Matheus somada registrou 13 no jogo de domingo.
Conclusão
Claro que tem um time do outro lado, que pode explicar a derrota de ontem mais do que o olhar para o Coringão revela. Mas o fato é que diante de um Mirassol organizado, que não perdeu em casa no BR 2025, o Corinthians teve dificuldade para impor seu jogo.
Em menos de um mês, Diniz já comandou a equipe em oito jogos, provavelmente teve pouco tempo para implementar o plano A, que dirá o plano B. Até aqui, o time parece depender de um repertório específico no meio campo: um volante pitbull e um meia criativo altamente participativo.
Resta saber se Diniz encontrará outras soluções, como fez no uso da “paralela cheia” para compensar a ausência de pontas e abrir o jogo contra os uruguaios ou se, assim como seus antecessores, acabará esbarrando nas limitações do elenco.
e você, o que acha que faltou para o Corinthians?
------- dados do sofascore
em Bate-Papo da Torcida > Não é uma boa improvisar Raniele na lateral: o que explica a derrota...


