Bruno Miliozi
A exatamente 3 anos atrás, eu estava vestido com o manto alvi-negro, tremendo de preocupação, pensando se tudo o que havia sido feito anteriormente teria sido em vão. O Brasil era argentino, mas eu tenho minhas dúvidas se mesmo os 'argentinos' já não sabiam o que estava por vir. Entretanto, havia um bando de loucos que já sabiam o que aconteceria naquela noite, 30 milhões de presos que lutavam pela sua liberdade.
Foi uma tarde ótima, dava pra ver claramente que ninguém tinha dúvidas de que lado se agigantaria e representaria a força do continente no final do ano.
Chego em casa, coloco a camisa da sorte, sento no lugar certo do sofá e coloco no canal que não tinha falhado nenhuma vez até ali. Vejo as notícias ansioso, tento bolar estratégias como se elas fossem realmente resolver todas minhas questões, mas só me restava esperar.
Nascido e crescido corinthiano, nunca tinha me sentido daquele jeito.
Tinha chegado a hora, tudo estava pronto, eu não ia prejudicar meu time usando a camisa errada, acompanho aquela escalação clássica, nossos guerreiros eram sérios e comprometidos, trabalhavam não por eles, nem só pelo time, mas por uma nação inteira, e estavam preparados para libertar seus aliados.
O Estádio estava lotado, como não pude estar lá, me certifiquei de que minha alma estivesse cumprindo seu papel ao levantar o mosaico de 'VAI CORINTHIANS'. Tinha chegado a hora do pontapé inicial, Corinthians grande, sempre altaneiro, és do Brasil, o clube mais brasileiro.
Eu já via nos primeiros toques o que eles queriam, tentar segurar aqueles loucos, recuaram, e afastaram a bola, e um tempo depois, dava pra ver que eles também estavam com medo, num chute de Alex, o goleiro parecia estar tremendo, teve muita dificuldade para segurar aquele simples chute, será que ele sabia o que estava por vir?
A torcida estava louco, eu estava louco, não sabia se minhas unhas iam aguentar até o final, mas quando a bola caia nos pés de Emerson Sheik, era impossível ficar sentado.
E foi assim o primeiro tempo todo, fui para o intervalo talvez até satisfeito, mas decepcionado por não terem resolvido isso rápido. De qualquer maneira, já tinha passado por coisas piores naquele ano.
Na segunda etapa, eles pareciam querer jogar, mas não chegavam perto, a intensidade era outra.
Aos 8 minutos do segundo tempo, uma falta no lado direito, Alex vai pra cobrança, ouço meu vizinho gritando, olho para o meu pai, ele olha pra mim, nos levantamos e vemos uma jogada mágica de Danilo, que com um calcanhar inexplicável mandou a bola para o atentado Emerson, não deu outra, saio correndo pela casa gritando, quase caio da janela, tudo se concretizava, uma das algemas tinha sido quebrada, depois da euforia, ao me sentar ofegante, meu pai me diz: 'Agora #$!@% !'.
Parece que eles acordaram, achavam que começando a jogar tão tarde iam conseguir nos manter presos, mas pagaram caro por essa arrogância. Emerson já tinha destruído a defesa do Boca em todos os sentidos, pensaram que ele estava satisfeito e tocaram para o lado, eis que surge o décimo primeiro jogador, determinado a entrar para a história, aos 27 minutos Sheik toma a bola, avança, olhou, guardou. Pulo e abraço meu pai. 'ACABOU', nós gritávamos. Ali eu tinha certeza, já começava a fazer a festa, ouvir os fogos, mas voltei rápido pois queria presenciar todos os segundos dessa noite épica, porém o jogo acabou ali.
Tempo depois, Fábio Santos beija a bola, a entrega para o juiz e corre, corre como eu corri para a avenida, levantar bandeira, abraçar desconhecidos e comemorar a nossa liberdade. A América era nossa, preta e branca, os argentinos mordidos, principalmente o zagueiro Caruzzo, presenciaram o inevitável, o INVICTO se consagrar.
Salve o Corinthians, o campeão dos campeões, eternamente dentro dos nossos corações.
Esta noite, mais uma página foi escrita, na história do Corinthians e de cada corinthiano.
Obrigado Corinthians, obrigado a todos os jogadores, a todos os torcedores, a toda essa nação e, principalmente, Obrigado meu Deus, por me fazer Corinthiano.
04/07/2012 - O dia dos libertados.