Luca Gouvêa
TEXTO DO BLOG
Seis anos do aniversário do nosso bi mundial. Me lembro como se fosse ontem. Os ingleses não eram surpreendidos assim num 16 de dezembro desde a Boston Tea Party. Se aquele evento em 1773 mudou para sempre a história dos Estados Unidos, o de 2012 mudou o patamar futebolístico de certo centroavante peruano.
Paolo Guerrero passou anos jogando na Alemanha, em times grandes é verdade, mas nunca foi protagonista. Pouco mais de 15 jogos e 6 gols com o manto alvinegra alçaram o jogador à condição de craque, decisivo, atacante completo, matador. Esse é o poder de um time de massa, quando se alia um jogador técnico e com personalidade à uma camisa de peso o resultado não é outro: idolatria e títulos. Naquela final contra o Chelsea o atacante colocava para sempre seu nome na história do clube. Os onze titulares colocaram, é verdade, mas o tento tem um peso enorme. É o momento que fica marcado na memória, é a narração que viverá por gerações, é o nome do título. Nada traz mais satisfação que o gol. Teu cérebro nunca mais esqueceu o pico de adrenalina que foi produzido naquele domingo de manhã.
Por essas e outras que digo: Guerrero é ídolo sim, não importa em quais outros times ele jogou ou como ele saiu. Porque além de fazer os dois gols do mundial, gols em clássicos, sua identificação com a Fiel dentro de campo era imensa. Você já reparou nesse cara jogando? O olhar de ódio dele nas quatro linhas? Como quem vai pra dentro do gol como se estivesse lutando pela própria vida. O zagueiro treme. Treme pois sabe que vai ter que brigar por 90 minutos contra um maloqueiro determinado à fazer da sua vida um inferno.
Guerrero tinha tudo para se tornar o maior atacante da história do Corinthians. Estaria no time hexacampeão brasileiro em 2015 e com certeza traria ainda muitas alegrias ao torcedor. Decidiu não ficar, foi buscar mais dinheiro e prestígio em times de camisa vermelha, mas ele sabe que não é a mesma coisa. Nunca será. Nada se compara a jogar no Corinthians, nada se compara a ser campeão pelo Corinthians. Ter seu nome gritado por 30 mil loucos no Japão deve ser um sensação indescritível.
O único uniforme vermelho que ele sente em casa é o da seleção Peruana. Aliás, meus parabéns publicamente por ser peça fundamental na classificação de seu país para a Copa da Rússia. Como um bom corinthiano saudosista, torci muito pelo Peru durante a Copa, mas passou. Passou o tempo e Guerrero ainda é a cara do Corinthians, que jogue em quantos times quiser, que ganhe títulos, que ganha mais dinheiro, mas o peruano será sempre lembrado com as cores alvinegras.
