Gustavo de Souza Valente
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Gustavo postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Torcedor corintiano leva pela primeira vez bandeira LGBT+ à Neo Química Arena"
há 1 ano
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Gustavo postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Torcedor corintiano leva pela primeira vez bandeira LGBT+ à Neo Química Arena"
há 1 ano
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No dia 26 de junho de 2024, um gesto simples, mas histórico, rompeu décadas de silêncio e exclusão dentro de um dos templos do futebol brasileiro. Pela primeira vez, uma bandeira lgbt+ foi levantada na arquibancada da Neo Química Arena, em Itaquera, durante uma partida do Corinthians. O autor do ato é o ativista Gustavo Don, que fez da ocasião não apenas um marco político, mas também um tributo emocional à memória de seu pai.
A ação foi realizada em razão do Dia Internacional do Orgulho lgbt+, celebrado em 28 de junho, e teve como objetivo demonstrar que o futebol também pode — e deve — ser um espaço de acolhimento e diversidade. “A arquibancada é lugar de amor, de memória, de luta. E hoje, eu carrego tudo isso comigo”, afirmou Gustavo.
Ativista lgbt+ há 20 anos, Gustavo é morador de Mogi das Cruzes (SP), fundador do Fórum Mogiano lgbt+ e da Parada do Orgulho lgbt+ da cidade, além de ter sido Conselheiro Estadual lgbt de São Paulo. Mas antes de tudo isso, ele é corintiano desde criança — uma paixão que nasceu pela influência de seu pai.
Durante anos, no entanto, o preconceito impediu que essa paixão fosse vivida plenamente. “Meu pai sempre me chamava para assistir aos jogos com ele, mas eu fugia. O ambiente não era seguro para mim. A homofobia me fez perder muitos momentos com ele, que faleceu em 2014. Nunca chegamos a ir juntos à Arena”, relembra.
A presença de Gustavo com a bandeira lgbt+ foi registrada por torcedores e coincidiu com a publicação de uma reportagem da TNT Sports sobre torcidas lgbt+ no futebol brasileiro naquele mesmo mês. Ainda que seu depoimento pessoal não tenha sido incluído na matéria, o simbolismo do seu ato ultrapassou qualquer fala: era a diversidade ocupando, com orgulho, um espaço que historicamente a excluiu.
&Ldquo;Me reafirmar como corintiano hoje é também uma forma de me reconciliar com essa parte da minha história, e de honrar meu pai. Cada vez que estou na arquibancada, penso nele. Essa bandeira é por mim, por ele, e por todas as pessoas lgbt+ que amam o futebol, mas ainda têm medo de estar ali.”
Mais do que um ato de coragem individual, a presença de Gustavo com a bandeira lgbt+ na Neo Química Arena é um símbolo de resistência e de mudança. Um lembrete de que o futebol, como paixão nacional, só é verdadeiramente grande quando é de todos.