Corinthians conseguiu traumatizar uma eliminação que seria normal contra o Flamengo
Opinião de Jorge Freitas
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Yuri Alberto caído de joelhos contra o Flamengo
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
Desde que o Flamengo começou a se reestruturar e a turma da R&T se fortaleceu no Corinthians, o confronto entre rubro-negro e alvinegro se tornou dia de feira garantida para os cariocas.
Com raríssimas exceções em jogos com placares apertados, o Corinthians se tornou presa fácil para o Flamengo, que além de aplicar goleadas históricas tanto no Maracanã quanto na Neo Química Arena, ainda levou a melhor duas vezes pela Copa do Brasil, com direito à título, além de uma na Libertadores da América.
Isso sem contar o "presente" de 2020, com o título do Brasileirão em partida que um time fraquíssimo segurou o Internacional no Beira-Rio e garantiu a conquista não merecida aos cariocas.
Como visto, com um elenco muito mais estrelado, o Flamengo se tornou favorito natural contra o Corinthians mesmo nas piores fases da equipe, como nesta, logo depois de ser eliminado na competição sulamericana e demitir o então treinador Tite.
Cair na semifinal, então, seria um processo natural, haja vista a situação de prioridade que o clube paulista tem dado na luta contra o rebaixamento, além, claro, de estar a apenas três jogos de ser novamente campeão de um torneio internacional após mais de onze anos.
O problema é que o Corinthians conseguiu traumatizar esta eliminação que seria "normal".
Primeiramente, com um time absurdamente mal escalado no jogo da ida, com Garro e Coronado no meio de campo, num domínio completo de um treinador estreiante contra um experiente. Não fosse Hugo, a decisão teria acabado ali no Maracanã mesmo, quem sabe, nos primeiros 45 minutos. E mesmo diante da superioridade clara dos cariocas, o treinador se manteve imóvel até o final do primeiro tempo. Ficou a impressão de que Ramon Diaz queria se livrar o mais rápido possível desse campeonato, mas não conseguiu.
Depois porque armou uma grande discussão em torno de favorecimento ao clube carioca em razão da mudança de datas, com direito a nota oficial e teorias da conspiração, mas, sob duas arbitragens corretas e mesmo com um homem a mais por cerca de 30% do tempo total do confronto, não soube se impor e termina sem sequer balançar as redes do adversário.
A impressão, inclusive, é que após Bruno Henrique sair de campo, o Corinthians tremeu, pois se viu na obrigação, até então inexistente, de fazer o placar e levar o jogo ao menos para os pênaltis.
Como se não bastasse, um esquema mal armado, ineficiente, repetitivo. Com excesso de cruzamentos na área no momento em que o Flamengo possuía três bons zagueiros na bola área, o Timão comprovou não ter sequer uma jogada de triangulação ou ultrapassagem e conta com uma carta na manga de Rodrigo Garro para ter alguma chance clara de gol.
Mesmo com um clima absurdamente favorável depois da goleada contra o Athlético-PR que tirou o time da zona do rebaixamento depois de dois meses (já voltamos), o Corinthians não conseguiu se impor e se assustou, mais uma vez, quando percebeu que o rival do outro lado era o Flamengo.
Além disso, mesmo depois de tantas contratações na janela de transferência, precisou lançar mão de Pedro Henrique e Giovane no momento mais decisivo da temporada. Giovane ainda criou a melhor jogada do 2º tempo, mas não possui hoje qualidade para entrar em uma partida como essa, como esperança em busca da remontada no placar.
Se tem algo para que possamos refletir com essa derrota é que a atual família que treina o Corinthians não possui condição de bater de frente nem mesmo com um treinador em início de carreira, mas com ideias do futebol evoluído da Europa. Mesmo que vençamos a Sulamericana e não caiamos no Brasileirão, não podemos ficar na esperança de um bom trabalho para 2025 se seguirmos com essa dupla.
É um absurdo como o Corinthians, em pleno 2024, ainda subestima a importância de um treinador. Enquanto tantos times com elenco piores se encontram com treinadores melhores, o Timão coleciona uma lista recente com Mano Menezes, Vanderlei Luxemburgo, Lázaro, Antonio Oliveira, Ramon Diaz, Vagner Mancini, dentre tantos outros.
Por fim, além de desperdiçarmos a chance oferecida pelo rival de conseguir pelo menos mais R$ 31,5 milhões por participar da final da Copa do Brasil (sem contar a renda do jogo final e a chance de título, o que dobraria o valor), ainda doamos R$ 1 milhão a eles para usar Hugo, goleiro emprestado, fundamental na primeira partida, mas coadjuvante da ineficácia do ataque, especialmente hoje.
Enfim, seja por pênalti perdido na final quando a decisão estava favorável, seja por setor lotado de torcedores visitantes em quartas de final de Libertadores, seja por jogar mais de 180 minutos e não balançar as redes de um time que estava claramente em crise, sem chance em outros campeonatos e com recente troca de treinador, o Timão sempre complica ainda mais os confrontos contra os cariocas.
O normal seria a eliminação. No meio do caminho, tornou-se possível classificar. Mas no fim, restou mais um trama.
O Corinthians parece enxergar o Flamengo como uma barreira intransponível, mesmo em suas piores fases.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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