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Corinthians não progredirá enquanto subestimar importância do treinador
Jorge Freitas

Colunista esportivo do portal 'No Ângulo', este internacionalista é mais um louco do bando e busca analisar o Timão com comprometimento com a realidade e as necessidades do maior clube do planeta.

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Corinthians não progredirá enquanto subestimar importância do treinador

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Corinthians não progredirá enquanto subestimar importância do treinador

Ramón Díaz em ação diante do Racing pela Sul-Americana

Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão

Andrés Sanchez certa vez disse que técnico bom é aquele que ganha. Não especificou exatamente o que deve ser vencido pelo treinador para torná-lo bom, mas de maneira genérica, colocou no mesmo pote nomes como Vanderlei Luxemburgo, Geninho, Carille, Osvaldo de Oliveira, Tite, Mano Menezes, Osvaldo Brandão, Nelsinho Baptista, Carlos Alberto Parreira e Antonio Lopes.

É claro que a máxima é apenas um alibi para não demonstrar a incapacidade do cartola em analisar e escolher um treinador à altura e que entregue um resultado positivo no clube. Deixa a entender, portanto, que todos os treinadores chegam ao clube no mesmo patamar e que somente serão considerados bons ou ruins ao final de sua passagem, se ganharem ou se perderem.

Nessa onda, possibilitou que nomes como Adilson Batista, Vagner Mancini, Osmar Loss e Cristóvão Borges tivesse chance em uma equipe tão grande como a do Corinthians, mesmo não tendo currículo para tal responsabilidade. Comprova também que manteve Tite após a eliminação para o Tolima não porque imaginava que o treinador poderia entregar o inédito título da Libertadores, mas porque não via interesse em mantê-lo ou mudar, já que a única coisa que os diferencia é serem campeões (e bons) ou perdedores (e ruins).

Nessa falta de qualidade para escolher treinador foi que, ao trazer o então recordista de rebaixamentos Vagner Mancini, disse que o comandante não era ofensivo nem defensivo, como se isso fosse bom. Na verdade, Sanchez só queria dar a Mancini a chance de ser considerado bom ou ruim no Corinthians.

Duilio, seu pupilo, seguindo sua linha, também subestimou a importância do treinador e foi capaz de presidir um clube como Fernando Lazaro, Vanderlei Luxemburgo, Mano Menezes, Sylvinho, além de Vítor Pereira. Treinadores com estilos diferentes, em épocas diferentes na carreira, alguns em evolução, outros em queda livre.

O resultado, é claro, não poderia ser diferente. Pela primeira vez em décadas, um presidente terminou seu mandado sem levantar um título sequer no futebol masculino.

O fato é que para boa parte da famigerada R&T, o treinador é somente uma engrenagem a mais, que pode ou não encaixar com elenco e diretoria, substituível muito mais facilmente que qualquer outra peça do atual futebol.

Infelizmente, Augusto Melo parece beber da mesma fonte. Manteve Mano Menezes (ok, havia a multa), mas quando o demitiu cogitou Marcio Zanardi (quem?) e trouxe Antonio Oliveira, mais um sem currículo para comandante do maior clube da América do Sul. Ao demiti-lo, nada de tentar uma evolução, mas sim o óbvio e mais próximo, Ramon Díaz, recém demitido do Vasco após quase ser rebaixado com os cariocas, e que venceu a opção mais cara de Carille, treinador que sofre para levar o Santos de volta à elite do Brasileirão.

É claro que tanto Ramon quanto Carille possuem currículos vitoriosos à medida diferente, assim como Luxemburgo e Mano, mas em épocas diferentes, passadas, em que o futebol brasileiro e sul-americano remava de uma maneira diferente.

Hoje, com treinadores cada vez mais inteligentes e com muitos estudos disponíveis para o futebol, nomes como os citados acima ficaram para trás e conseguem espaço apenas em diretorias como a nossa, que subestima a importância de um treinador.

Ter elenco é importante, mas nada está acima atualmente de um bom treinador, seja em equipes pequenas, grandes ou médias.

E exemplos não faltam. O maior rival Palmeiras coleciona títulos com o profissional e capacitado Abel Ferreira. O Fortaleza faz mais do que o Corinthians com Vojvoda. O River sucumbiu quando perdeu Gallardo, agora tenta reencontrar os trilhos. O Botafogo caiu de produção e perdeu o título mais ganho de sua história quando não encontrou um substituto à altura de Luis Castro. Chega à final da Libertadores enquanto lidera o Brasileirão ao reencontrar o nome certo e competente.

O fato é que a instituição Corinthians não consegue enxergar o óbvio. Neste domingo, contra o Flamengo, um nó tático de Filipe Luis, treinador jovem, mas com ideias modernas, na família Diaz, mesmo estando estes com um jogador a mais durante mais de 70 minutos de jogo.

Família Diaz, aliás, que errou em tudo nessa eliminatória. No jogo de ida, entrou com Fagner na lateral, sendo que o Flamengo havia perdido seu principal centroavante e certamente forçaria jogadas pelas beiradas. Além disso, foi com Garro e Coronado e perdeu o meio-campo por 45 minutos.

Já no jogo da volta, uma lista de horrores. Talles e Romero pelas beiradas. Equipe conservadora mesmo com um a mais e precisando do resultado. Giovane canhoto pela ponta direita para dar profundidade. Pedro Henrique de volta para mudar o jogo. Hernanez e Fagner no banco quando as jogadas eram, em sua maioria, cruzamentos na área.

Não suficiente, nesta quinta, contra o Racing, assinatura completa da incompetência e despreparo. Como pode uma comissão técnica "estudar" por quatro dias um adversário, decidir que é melhor entrar com dois atacantes, mas quando o volante se lesiona, passar para o esquema com 3? E novamente com Romero na ponta.

Escala e substitui por conhecimento ou por tentativa e erro/sorte?

E nessa sequência de erros, o time não treinado por Ramon Diaz e seu filho conquista apenas uma vitória nos últimos seis jogos, sendo quatro deles disputados na Neo Química Arena, como apoio massivo da Fiel Torcida.

Com isso, mais uma temporada se vai e o Corinthians, novamente, briga contra o rebaixamento e desperdiçando, em sua própria casa, chances reais de levantar troféu. Já são meses desde a estreia de Ramon e o time segue entre os quatro piores do campeonato. Sobre as semifinais, até mesmo Vanderlei Luxemburgo foi capaz de alcançá-las no ano passado, ou seja, não é tanta coisa assim.

Contratação bombástica mesmo seria um treinador de renome, que faça a equipe jogar. Dar a ele a chance de montar seu elenco, fazer pré-temporada e trabalhar com a equipe durante o ano todo. Mas é muito para essa instituição que acha que treinador só é bom quando ganha.

Veja mais em: Ramón Díaz.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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