Por que o Corinthians precisa manter Lucas Piccinato para 2025?
Opinião de Maria Beatriz de Teves
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Lucas Piccinato precisa de tempo no comando do Corinthians
Foto: Staff Images Woman / CONMEBOL
Lucas Piccinato chegou ao Corinthians Feminino em 2024 cercado de desconfianças. E com razão, a torcida tinha dúvidas. Afinal, quem quer ser o “substituto do rei”? Depois de oito anos gloriosos sob o comando de Arthur Elias, com uma hegemonia consolidada no futebol feminino, não era fácil encarar o desafio de sucedê-lo. Mais difícil ainda quando a equipe passava por uma verdadeira reformulação. Mas Piccinato foi lá e encarou. Ele foi o único a aceitar esse desafio – e isso diz muito.
Quem conhece os bastidores sabe que mais de um treinador recusou o convite para assumir o Corinthians após Arthur. Não por falta de competência, mas por medo. É claro, ninguém queria correr o risco de ser comparado a um técnico que já virou ídolo eterno do clube. Mas Piccinato topou. E ele não veio de qualquer lugar: o técnico vinha de um excelente trabalho no Internacional, onde conquistou o Estadual em apenas quatro meses e levou a equipe à semifinal da Libertadores de 2023. A eliminação só aconteceu nos pênaltis – e, curiosamente, para o próprio Corinthians, em um duelo extremamente equilibrado.
Se a torcida começou desconfiada, a evolução ao longo do ano foi evidente. Em 2024, o Corinthians enfrentou um ano de mudanças gigantescas. Saiu Cris Gambaré, diretora responsável por moldar o futebol feminino do clube ao patamar de excelência atual, e chegou Iris Sesso, trazendo outra visão. A comissão técnica foi completamente reformulada, e o elenco sofreu baixas pesadas, com a saída de dez jogadoras, incluindo nomes como Diany, Luana Bertolucci e Tarciane. Mesmo assim, Piccinato entregou resultados.
E que resultados! Em seu primeiro ano, ele levou o time a todas as finais possíveis. Foram quatro decisões, com três títulos e uma derrota nos pênaltis. Para qualquer técnico, essa performance seria motivo de aplausos – mas, para Piccinato, parece que ainda há um asterisco. Parte da torcida questiona o desempenho, mas será que estamos sendo justos?
Danilo Fernandes / Meu Timão
Se compararmos os primeiros 43 jogos de Piccinato e Arthur Elias no Corinthians, os números são claros:
- Piccinato: 43 jogos, 34 vitórias, 5 empates, 4 derrotas – 82,9% de aproveitamento.
- Arthur Elias: 43 jogos, 25 vitórias, 12 empates, 6 derrotas – 67,4% de aproveitamento.
Isso não é desmerecer Arthur. Pelo contrário, ele é um ídolo, e sua história no Corinthians jamais será apagada. Mas é preciso lembrar que, nos últimos anos, o futebol praticado pelo time já não era tão brilhante. Em 2022, por exemplo, o Corinthians ficou fora do mata-mata do Campeonato Paulista e teve que disputar a Copa Paulista. Na Libertadores daquele ano, a eliminação veio contra o Boca Juniors – o mesmo Boca que Piccinato venceu em 2024.
Então, por que tanto julgamento precoce? Piccinato herdou um legado gigantesco e conseguiu manter o Corinthians competitivo e vencedor em um contexto de mudanças drásticas. Além disso, ele mostrou coragem, resiliência e competência. Sua continuidade para 2025 não é só lógica. É necessária.
Trocar de técnico agora seria dar um passo atrás. Quem, além de Piccinato, teria o “culhão” para assumir o Corinthians nesse momento? Ele já mostrou que merece tempo – e tempo é o que todo grande trabalho precisa para amadurecer.
A torcida alvinegra sabe valorizar quem veste o manto com coragem. E é exatamente isso que Piccinato fez desde o primeiro dia. Vamos dar o voto de confiança ao homem. Ele merece.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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