O Corinthians precisa de uma postura mais firme sobre a arbitragem
Opinião de Roberto Piccelli
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Raphael Claus foi o juiz no empate com o Palmeiras, pela final do Paulistão 2020
Foto: Danilo Fernandes/ Meu Timão
Aconteceram no jogo de ontem entre Corinthians e Palmeiras duas decisões polêmicas do árbitro Raphael Claus: o segundo cartão para Yuri Alberto por simulação e o suposto pênalti de Ryan em Estevão. Nas duas, o Corinthians levou a pior, mas não vou entrar no mérito se foi acerto ou se foi erro do juiz. Fato é que depois de terminado o jogo, para total surpresa do torcedor, o que pautou a imprensa foi uma falsa controvérsia. Teria ocorrido uma suposta invasão da área por Tchoca no pênalti defendido por Hugo Souza. Era o que Abel esbravejava na sua coletiva.
O desmentido dos especialistas foi rápido: o zagueiro corinthiano precisaria ter pisado na área para que a cobrança fosse anulada, o que nitidamente não aconteceu. Mas o português já tinha feito a sua farra e já se anunciava até uma notificação à Federação Paulista de Futebol. Viu-se, enfim, a coreografia tradicional do Palmeiras sempre que não sai da partida em vantagem.
Esse esperneio recorrente não é um mero chororô. Traz resultados concretos para o time alviverde. Em primeiro lugar, porque tira o foco das polêmicas reais do jogo. Não se discutem mais com a mesma ênfase a expulsão de Yuri ou a penalidade máxima de Ryan, porque o jogo de cena de Abel leva um terceiro lance para as discussões pós-jogo na imprensa esportiva. De repente, parece razoável discutir que o prejudicado da partida tenha sido não o Corinthians mas o Palmeiras.
Em segundo lugar, e muito mais importante, a postura de Abel e do Palmeiras intimida os árbitros para as decisões difíceis que terão que tomar no futuro contra o clube da Água Branca. Esse é um ponto que interessa diretamente ao Corinthians e a outros clubes que podem ter que enfrentá-los nas fases finais do campeonato. As inúmeras ocasiões anteriores em que a mesma dinâmica tinha se repetido certamente já criaram uma tensão acumulada para o juiz no clássico de ontem. Agora, depois de mais um circo, numa eventual final, será que o árbitro escalado terá disposição para enfrentar a pressão pública do Palmeiras ou andará pelo caminho fácil de não contrariá-los?
A diretoria do Corinthians poderia adotar diferentes estratégias para lidar com esse método do Palmeiras. Pode adotar o contra-ataque, espelhando a postura histérica de Abel nas coletivas e expedindo notificações para a FPF, a fim de ao menos equilibrar a narrativa, assim como pode, por meio de um trabalho conjugado com a assessoria de imprensa e com outros clubes, trabalhar uma denúncia pública contra a pressão predatória do Palmeiras, que precisa ser punida com urgência.
O que o Corinthians e a diretoria não podem é permanecer na passividade.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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