Arena x Pacaembu: de uma vez por todas
Opinião de Rodrigo Vessoni
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Não há motivos para preterir a Arena Corinthians
Foto: Divulgação/Corinthians
Recebi o convite e participei do BB Bom Dia, da ESPN Brasil, na manhã desta segunda (dia 7).
Em determinado momento, o jornalista Gustavo Hofman perguntou o tamanho do impacto do pagamento da Arena na atual situação financeira do Corinthians. Minha reposta está sendo viralizada por alguns torcedores. Para quem não viu o programa, o que eu falei foi o seguinte.
Esse negócio de "volte ao Pacaembu que é melhor" é uma grande falácia.
No Pacaembu, o Corinthians tem direito apenas à bilheteria. Nada mais! Vai até lá, paga aluguel, joga e volta pra casa com o dinheiro líquido da bilheteria.
No Pacaembu não se explora nada: cativas, camarotes, estacionamentos, publicidade estática interna e externa, lojas, restaurantes, lanchonetes... nada. Nada se pode fazer lá dentro. NADA!
Pois bem.
A maior renda líquida anual do Corinthians no Pacaembu foi de cerca de R$ 22 milhões. Isso paga apenas duas folhas salariais do elenco (ou nem isso até). Ai eu pergunto:
Muda o que 22 pra um clube que arrecada 380, 400, 500 milhões?
Não caiam nessa bobagem. Nem de ouvir nem de dizer a frase "volte ao Pacaembu que é melhor". É uma grande falácia.
O Corinthians está suando sangue pra pagar seu estádio. A dificuldade é tão grande que até a brincadeira nas redes "ganhou um estádio" morreu. Até quem brincava está com vergonha de falar isso diante do noticiário sempre quente dos pagamentos com dificuldades.
Mas se trata de um patrimônio que o clube está adquirindo. Vai sofrer? Vai. Vai demorar 10, 15 anos pra pagar? Vai. Mas é como seu carro ou sua casa financiada. Você não sofre e sua sangue pra tê-los por que sabe que está aumentando seu patrimônio? Pois é exatamente isso que seu time está fazendo em Itaquera. Igualzinho.
Obviamente que o ideal era não estar tirando nada do clube pra pagar a Arena. O ideal era cobrir as despesas do estádio com o estádio. Em 2017, tirou-se do caixa do clube R$ 25 milhões. Em 2018, tirou-se do caixa R$ 9 milhões. A provisão para este ano é que ajude com R$ 6 milhões.
Está correto isso acima? Não. Deveria ter tirado esse dinheiro para ajudar o estádio? Não. Mas aconteceu. Faz parte. Não se tira todos os meses para pagar o social e tudo que envolve o Parque São Jorge? Então, o estádio, é apenas mais um braço do gigantesco clube que precisou ser socorrido pela máquina de fazer dinheiro que sempre é um departamento de futebol profissional de clube grande.
Percebam que eu nem toquei no ganho técnico do estádio, considerado numa pesquisa recente do GloboEsporte.com como o mais temido entre os jogadores - votação foi em off, sem ninguém precisar dar nomes nos 20 clubes da Série A.
São quatro anos e meio de Arena Corinthians. Foram quatro títulos do clube no período: Paulistas 2017 e 2018; e Brasileiros 2015 e 2017. Dois deles por pontos corridos, na qual o fator casa sempre é fundamental.
A cada dez jogos em Itaquera, o Corinthians ganha sete, empata dois e perde um. Quem está dizendo isso é o retrospecto, a planilha do Excel, não sou eu. É nesse estádio que o adversário já viaja de sua cidade achando que o empate, se vier após 90 minutos, é ótimo resultado.
Ai está o que penso. Quer continuar acreditando na falácia que "volta ao Pacaembu que é melhor", acredite. Esteja enganado como sempre e siga sua vida. Mas você, como corinthiano, precisava saber os detalhes e números acima. É seu direito.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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