Tiago Nunes errou e vai errar, mas nós (imprensa) também erramos na abordagem
Opinião de Tomás Rosolino
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Tiago Nunes orienta jogadores no CT Joaquim Grava
Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians
O técnico Tiago Nunes errou, mudou suas convicções nos últimos dois jogos e fez escolhas facilmente questionáveis ao se analisar as entrevistas que ele dava no começo da temporada. A abordagem do momento do treinador, feita por mim e pela crítica que analisa o comandante, também tem suas falhas, porém.
Primeiro: é inadmissível que, ao se dar um Google nas palavras "Tiago Nunes demissão", a primeira matéria date do dia 13 de fevereiro, apenas 23 dias depois da abertura oficial da temporada no país. Ou seja, antes de se pensar em qualquer ação a respeito do treinador, já havia gente falando de demissão. Vários. Isso não pode partir da imprensa.
O jornalismo é veículo de informação, não pode pautar o que vai ser feito. O direito a opinião é livre e o público consome o que quer, mas se não houver um controle pessoal de qualidade a análise crítica perde o seu valor.
O site de buscas, aliás, registra 29.900 resultados ao se fazer essa busca, outro ponto surreal para um trabalho que chegou recentemente ao 12º jogo. Procurando "Tiago Nunes análise trabalho" você chega a pouco mais de 36.000 resultados. Ou seja, para cada seis análises de trabalho, tem cinco notícias falando em demissão.
Postos os nossos erros, que às vezes acho pouco admitidos sob o argumento da generalização (que o próprio jornalismo faz também), vou para os erros do treineiro corinthiano. O primeiro está na condução da situação de Carlos.
Lateral promissor, Carlos tem passagem por Seleção de base, foi titular em jogos importantes, possui passaporte europeu e apenas 21 anos. É a descrição de uma joia para qualquer clube brasileiro, ainda mais para um que luta para manter as suas finanças em equilíbrio.
O jogador, porém, foi tratado como negociável logo na entrevista inicial de Tiago. Sidcley foi bancado como contratação, Lucas Piton bancado diretamente da Copinha e Danilo Avelar, nas palavras do próprio Tiago, seria a outra opção no setor caso não aceitasse tornar-se zagueiro. Esse foi o primeiro erro.
O segundo aconteceu na semana do jogo contra o Novorizontino. Depois de não jogar nenhuma vez no ano, ele passou à frente de Piton e Sidcley em um jogo importantíssimo na temporada. Foi de negociável a titular sem explicação, atuando em duas partidas decisivas para a temporada. Faltou convicção.
Além disso, também temos a desistência temporária da dupla Camacho e Cantillo, o veto a Vagner Love e Boselli, mesmo com bons resultados, e a utilização de nomes como Madson e Gustagol no mata-mata da Libertadores, dias antes de liberá-los por empréstimo a outras equipes.
O projeto de mudar um estilo de jogo e apresentar um Corinthians protagonista, porém, segue acontecendo. Em 12 jogos, não apresentou resultado. Esperado. Há de se confiar mais nas próprias convicções para fazer essas mudanças.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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