Léo Mana e a importância do Corinthians saber promover seus destaques da base
Opinião de Victor Godoy
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Se fala tanto sobre o Léo Mana, mas pouco sobre o macro de sua situação no Corinthians
Foto: Rodrigo Coca / Ag.Corinthians
O lateral-direito Léo Mana já ficou marcado como um caso de fracasso da base do Corinthians. Durante o jogo contra o Botafogo, cheguei a comentar no saudoso X (antigo Twitter) sobre como esse insucesso parte mais de uma má administração do clube do que por falta de capacidade do jogador e fui bastante xingado.
Corinthians errou muito na transição da base pro profissional do Léo Mana e o resultado a gente vê em campo. Fora as oscilações, também já ficou marcado para a torcida.
— Victor Godoy (@victor__godoy) July 26, 2025
A “correção de rota” é um empréstimo. Precisam encontrar um clube em que vá ter muitos minutos.#MeuTimao
Léo Mana nunca foi um jogador extraclasse da posição enquanto jogador de base, mas também nunca foi medíocre. Capitão em diversas categorias, sempre foi destaque dos times de juniores. Contudo, desde a eliminação da Copinha de 2022, em que, aos 17 anos, falhou ao cometer o pênalti do primeiro gol da vitória do Resende-RJ por 2 a 1, ficou marcado como esse jogador de pouco sucesso. Desde então, o Corinthians, invés de tentar contornar isso, apenas deu força à percepção de parte da torcida.
Em 2022, foram apenas 45 minutos no profissional em um time misto que perdeu para o América-MG fora de casa. No ano seguinte, seis jogos (dois incompletos como titular), maioria com reservas ao seu lado. A essa altura, já sobrava e treinava no profissional, mas sem a confiança e descendo recorrentemente para o Sub-20, categoria que nem mesmo o título da Copinha de 2024 serviu para um completo adeus.
Faltou ao Corinthians um melhor projeto para Léo Mana e seu futuro dentro do clube. Isso seria essencial para essa confiança, algo tão importante para um jogador de alto nível e que se percebe que falta para o lateral-direito. Em nenhum momento dos seus três anos de Sub-20 isso parece ter ocorrido. Só agora, depois que estourou a idade de base e não há outra peça à disposição, vem tendo esse espaço. Isso já exemplifica o que disse no tuíte de que erraram muito na transição dele.
Um jogador de projeção - seja os extraclasse ou os que apenas têm nível de profissional - precisa estar treinando e jogando com alguma frequência no profissional, que é muito diferente de futebol de base. Assim como não dá para o Léo Mana ter espaço apenas quando estourou idade de Sub-20, não dá para o Bahia (que tem até mais projeção) saltar de ínfimos oito minutos em campo no Paulista contra a Portuguesa para titular diante do Botafogo, pelo Brasileirão. O Corinthians apenas expõe seus jogadores de base desta maneira.
Desde que o Corinthians é Corinthians, falta um planejamento para que seus principais ativos tenham algum espaço no profissional. Parece que ficam todos à mercê de surgir novamente um Vanderlei Luxemburgo que promova cinco jogadores da base de uma só vez, justamente por essa ausência de projeto a longo prazo.
O triste é que esse planejamento ainda não parece estar nem nos planos do Corinthians.
Mas e o Léo Mana?
Como destaquei no tuíte, a maior "correção de rota" do Corinthians para Léo Mana neste momento é emprestá-lo para alguma equipe em que vá jogar. Seja ela da Série A, B ou C. Importante para o jogador é ter minutos em campo, onde vai conseguir evoluir e desenvolver maior confiança, algo que falta para o lateral-direito.
Por sinal, o "projeto Tchoca" precisa ser mais institucionalizado no Corinthians. O zagueiro, que também atraía desconfiança na base, voltou outro jogador do Ceará ao fim de 2024. Outros empréstimos precisam ser discutidos, não só com atletas que já estão no profissional. Por exemplo, o zagueiro Fernando Vera e o lateral-direito Gabriel Caipira estão no último semestre como atletas de Sub-20 e não devem somar uma dúzia de treinos na equipe principal. Talvez não compense mais os ceder para outras equipes para chegarem mais preparados para o 2026 (ou talvez 2027) do Corinthians?
Lembrei da vez em que entrevistei o meia Fabrício Oya, outro que viveu situação similar à de Léo Mana. No papo - leia clicando aqui -, ele contou que quando se sai de um clube como o Corinthians, você quer voltar para um time de nível do Timão o mais rápido possível. Penso que um empréstimo sirva até mesmo para essa consciência.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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