10 técnicos para o Corinthians
Opinião de Walter Falceta
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O time de 2017: quem vai traçar a melhor estratégia?
Foto: Reprodução
Mais cedo, quebrando o paradigma e recebendo uma saraivada de críticas (faz parte!), sugerimos o nome de dois ídolos corinthianos como técnicos para a complexa fase de transição que se aproxima.
Como o jornalismo nos ensina lições de humildade, decidimos refazer o conteúdo do post de hoje. Primeiramente, em respeito a quem NÃO deseja, neste momento, de forma alguma, estabelecer laços profissionais mediados pela atual direção corinthiana.
Ainda assim, reiteramos o apreço pelos ídolos laterais, que poderiam educar os atletas sobre a garra e o empenho que tanto faltam aos atuais magnatas do futebol.
Se a notícia corre, porém, convém atenção maior aos fatos. A direção corinthiana afirma estar finalizando acerto com um novo técnico. Alessandro estaria no comando da negociação.
Parecem cartas fora do baralho o sempre cogitado Guto Ferreira e o velho Vanderlei Luxemburgo, com quem a diretoria nega ter feito contato.
O primeiro é um organizador por excelência. Perseverante, paciente, procura sempre avaliar as peças disponíveis e montar um estilo de jogo. Assim, produz muito com pouco. Não é nenhum inventor. Em clubes de menor expressão, é garantia de trabalho bem feito, em que a repetição do padrão é a chave para o sucesso.
O segundo viu o futebol como poucos, especialmente na década de 90. Criou times competitivos e maravilhosos. Depois, estagnou-se, preocupado mais com a própria imagem do que com seu ofício. Foi um dos grandes. Hoje, precisa se reinventar.
Também parece não avançar a negociação com Dorival Júnior, que se "casou" bem com o Santos. Ali, o treinador parece ter encontrado a confiança e a paz necessárias para se dedicar ao planejamento do trabalho. Dorival é do tipo que precisa de tempo e estrutura para montar boas equipes. No time praiano, tem conseguido.
Os intermediários ofereceram, sim, ao Corinthians o colombiano Reinaldo Rueda, técnico do Atlético Nacional, derrotado dias atrás no Mundial da FIFA. Não parece que tenha sido vetado pelos cartolas corinthianos.
Em relação a Reinaldo, vale dizer que é um profissional atualizado, que conhece o futebol latino-americano e também o europeu. Pós-graduado pela Escola Superior de Esportes da Alemanha, é figura respeitada em seu país, mesmo depois da inesperada derrota por 3 a 0 para o Kashima Antlers.
Como campeão da Libertadores, constituiu um time com defesa sólida e uma transição rápida, baseada no jogo solidário e nos passes verticais. Quando funciona, é bonito de se ver, especialmente quando tem em campo um Berrío ou um Borja.
Nas alamedas do Parque São Jorge, há sempre quem sugira o nome de Marcelo Bielsa, El Loco de Rosário. Figura hoje entre os "sem clube", depois da confusão com a Lazio.
É aposta com vocação furada. Uma diretoria confusa não teria condições de lidar com um sujeito de personalidade forte e espírito meticuloso. O Timão já viveu situação parecida com Passarella, boicotado dentro e fora das quatro linhas.
Seria bonito de ver, no entanto, a tentativa. Bielsa ficou famoso pelo 3-3-3-1, com líbero, trinca de volantes, "enganche" e dianteiro avançado. Seus times são apaixonados, duros, pressionam o rival e valorizam a posse de bola. Bielsa influenciou muitos bambas, como Jorge Sampaoli e Marcelo Gallardo.
Depois deles, vem a lista dos já conhecidos do público brasileiro: Levir Culpi, Celso Roth, Fernando Diniz, Marcelo Oliveira e Jair Ventura.
Pouco mais se pode agregar sobre Levir. Faz o estilo "paizão", fala muito com os jogadores e forma seus times de acordo com as características dos jogadores. É piadista, falastrão e adora reclamar, especialmente de outros clubes e arbitragens. Torrou nossa paciência em 2015. Os dirigentes o consideram um chato, mas capaz de dar jeito em times desanimados e desmotivados.
Celso Roth é considerado um técnico ultrapassado, mas é também elogiado por seu esforço e critério. É o tipo de técnico que faz preleção já no dia anterior à partida. Mostra vídeos do adversário, destacando suas virtudes e vulnerabilidades.
Roth costuma levantar times em situação complicada, mas depois cede à rotina e, normalmente, segue-se uma queda de produção.
Empenhado, porém conformado com os resultados adversos: talvez essa seja uma boa definição do técnico que ajudou a rebaixar o Internacional no Brasileirão 2016.
Marcelo Oliveira é técnico campeão e tem boa leitura do futebol. Sabe de longe o que pode fazer em cada partida. No entanto, é tido como um profissional que conduz treinos ruins e improdutivos. Foi criticado por isso no Palmeiras e no Atlético Mineiro.
Oliveira costuma ter rusgas com jogadores e não raro expressa publicamente suas mágoas. No mais, raramente produz equipes criativas. Se lê bem os adversários, os adversários logo percebem a mesmice de seus times.
Fernando Diniz foi um meia-atacante mediano, que passou até mesmo pelo Corinthians, sem receber crítica demasiada, tampouco rasgado elogio.
Como técnico, encantou a crítica no Audax. O psicólogo Diniz conversa muito com o jogador, ensina, treina, cobra, repetindo um tantinho do estilo de Telê Santana. Condena o chutão. Quer bola de pé em pé, toque de bola, no tique-taca da periferia, com compactação, em que a ação ofensiva é sempre bem tramada, sem deixar exposta a retaguarda. Nem sempre funciona, mas a filosofia encanta seus comandados.
Por último, vem Jair Ventura, que acaba de realizar bom trabalho com a modesta equipe do Botafogo. O filho do Furacão da Copa de 70 é intenso, participativo, até mesmo inquieto. Na beira do campo, é quase um décimo segundo jogador.
Mas não é somente isso. Tem uma espécie de pranchetinha onde anota tudo, ao estilo Joel Santana. É para pensar o jogo depois, para corrigir e aprimorar.
Elogia-se seu empenho nos treinos. De repente, para tudo e simula uma situação de jogo. Noutras vezes, faz sua turma repetir em coreografia a reação a um ataque do adversário. Treina com criatividade.
E, então, caro leitor: qual sua opinião?
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
