Gilson Couy
Eu tinha 12 anos quando pisei pela primeira vez na Arena Corinthians. Meu pai, corintiano roxo, me levou num domingo de sol, para assistir a um jogo decisivo contra o São Paulo. Eu já vestia minha camisa número 9, com o nome do Guerrero nas costas, presente que ganhei dele no meu aniversário. Mas o que mais me marcou naquele dia não foi o jogo em si. Foi ver meu pai chorar e não foi por tristeza.
Ele sempre foi durão. Nunca demonstrava emoção, era daqueles pais que acham que chorar é fraqueza. Mas naquele dia, ao entrar na Arena, ele parou, olhou em volta, respirou fundo e disse:
'Seu avô sonhava com um estádio do Corinthians. Ele morreu sem ver isso aqui. Mas hoje, estou aqui com você.'
Fiquei sem palavras. A emoção no rosto dele falava mais do que qualquer grito da torcida. Durante o jogo, cantamos juntos, pulamos juntos, e quando o Corinthians marcou o gol da vitória nos acréscimos, ele me abraçou tão forte que eu mal conseguia respirar. Vi lágrimas nos olhos dele de novo, misturadas com um sorriso largo, como se estivesse vivendo um sonho dele e do meu avô.
Naquele dia, não foi só um jogo. Foi a passagem de um legado. Um elo entre gerações, selado por amor ao clube, mas também pelo amor entre pai e filho. Voltei pra casa entendendo que o Corinthians não é só futebol. É família, é memória, é identidade.
Desde então, guardo aquela camisa como um troféu. Está velha, desbotada, mas é a camisa do dia em que eu vi meu pai como nunca tinha visto antes. E que, de alguma forma, me fez amar ainda mais o Timão.
em Bate-Papo da Torcida > O Dia em Que Meu Pai Chorou na Arena Corinthians




