Pablo Oliveira
'Não gosto do André Rizek? Nem de longe. Mas no último vídeo, ele resumiu perfeitamente o maior problema do Corinthians: o modelo de clube associativo.
Quem escolhe o presidente é o sócio, aquele que está mais preocupado com a bocha, o estacionamento, a quadra de tênis ou se a piscina está limpa.
Reclamamos que? é sempre mais do mesmo? E de fato é. Porque pra ser presidente, precisa ser conselheiro. E pra ser conselheiro, tem que ser sócio. E aí entramos em um ciclo vicioso de décadas, dominado pela mesma corja, pela mesma política interna, que não tem nada a ver com o que o Corinthians representa.
Augusto foi eleito com 939 votos. Duilio, com 1.081. Isso não representa o Corinthians. Não representa a torcida, não representa a força dessa marca, desse time, dessa nação.
Se quisermos mudar, o caminho seria claro: separar o clube social do futebol. Profissionalizar. Colocar gente técnica, competente, preparada para gerir um orçamento bilionário, que é o que o futebol do Corinthians movimenta.
Mas, infelizmente, o caminho mais curto pra isso se chama insolvência. E o mais longo? E mais difícil? Depende de conselheiros e sócios que realmente se importem com o Corinthians e estejam dispostos a mudar o estatuto.
Enquanto isso não acontece? Sigo corinthiano. E, cada dia mais, sofredor.'
Esse foi o comentário que fiz ontem e concordo, precisamos mudar, para que o Corinthians seja o que realmente ele nasceu para ser.
em Bate-Papo da Torcida > Fim do modelo associativo: por que clubes como o Corinthians estão...
Em resposta ao tópico:
O modelo associativo de clubes de futebol, como o adotado pelo Corinthians, enfrenta uma série de problemas estruturais que, para muitos especialistas, o tornam insustentável no longo prazo. Vamos entender os 'porquês' desse diagnóstico de falência do modelo:
1. Falta de governança profissional
No modelo associativo, o clube é controlado por sócios, que elegem presidentes e conselhos. Isso abre espaço para:
- Gestão política em vez de técnica, com decisões pensando em eleições e não na sustentabilidade financeira.
- Trocas frequentes de gestão, dificultando planos de longo prazo.
- Indicação de cargos por apadrinhamento político, em vez de competência.
2. Ausência de dono e responsabilidade limitada
Diferente de clubes-empresa, onde há um proprietário que responde diretamente pelo sucesso ou fracasso:
- No modelo associativo, ninguém é responsabilizado diretamente pelas dívidas.
- O clube vira uma espécie de 'terra de ninguém': gestores fazem dívidas, mas quem paga é a instituição — ou seja, o próprio clube, muitas vezes com recursos futuros (adiantamentos de TV, patrocínios etc.).
3. Endividamento estrutural
O Corinthians, por exemplo, carrega dívidas bilionárias. Parte desse problema vem de:
- Má gestão dos recursos.
- Projetos superdimensionados (como o da Arena).
- Reforços contratados sem planejamento financeiro.
- Uso recorrente de empréstimos e adiantamentos de receitas futuras para cobrir déficits operacionais.
4. Falta de transparência
Apesar de ser uma associação, o nível de transparência em clubes como o Corinthians é baixo:
- Orçamentos e contratos não são totalmente abertos.
- O torcedor/sócio comum tem pouco acesso às decisões reais.
5. Modelo defasado no mercado global
Enquanto o mundo caminha para a profissionalização:
- Clubes europeus viraram empresas, com estruturas corporativas modernas.
- Investidores entram para capitalizar, expandir e internacionalizar marcas.
- O Brasil segue preso ao modelo associativo — com exceções como SAFs (Cruzeiro, Botafogo, Vasco).
6. Excesso de influência política
Clubes como o Corinthians se tornam trampolins políticos:
- Dirigentes usam o clube para ganho pessoal e prestígio.
- As decisões visam ganhar eleições internas, não necessariamente melhorar a performance esportiva e financeira.
Conclusão
O modelo associativo está falido porque não promove responsabilidade, transparência, nem profissionalismo. Ele foi funcional no século XX, mas hoje é ultrapassado diante da competitividade do futebol moderno.
A transição para modelos mais profissionais — como a SAF (Sociedade Anônima do Futebol) — é cada vez mais debatida, e pode ser a única saída para clubes históricos como o Corinthians voltarem à sustentabilidade.
