Bruno Henrique
Desde 2007, o Corinthians vive sob o que muitos chamam de projeto de perpetuação da R.E.T., um grupo político que se infiltrou no clube com um único objetivo: transformar o maior patrimônio popular do Brasil em um instrumento de poder e negócios privados.
O roteiro é conhecido: alianças políticas, acordos obscuros, promessas de “gestão moderna” — e uma sequência interminável de dívidas, renegociações e supostos salvadores.
Mas o saldo é sempre o mesmo: o clube mais popular do país continua sendo o mais explorado, faturando bilhões enquanto mergulha em crises fabricadas.
O início: 2007 e a ascensão da máquina
Foi ali que o sistema se consolidou. A gestão da época abriu as portas para contratos que beneficiavam um pequeno grupo de empresários e dirigentes — muitos dos quais continuam orbitando o poder até hoje.
De lá pra cá, o Corinthians já faturou mais de R$ 11 bilhões, mas o resultado líquido é estarrecedor: dívida próxima de R$ 3 bilhões e uma estrutura corroída por favores, rachadinhas e desperdício institucionalizado.
Mesmo assim, o clube sobrevive. Fatura R$ 1 bilhão por ano, mesmo em meio ao caos, escândalos e desgoverno.
Nenhum outro clube suportaria tamanho saque contínuo e ainda permanecer competitivo.
Ronaldo e SAFiel: os dois braços do mesmo corpo
O ex-jogador Ronaldo Fenômeno e o grupo SAFiel são, segundo diversas fontes internas, os dois braços operacionais da R.E.T.
Um faz o papel de “rostro público” — carismático, com imagem de sucesso e acesso direto à mídia.
O outro atua no campo técnico e político, propondo modelos de SAF e “reestruturações” que, na prática, transferem o controle do Corinthians para mãos privadas, sem investimento real de capital.
O caso Cruzeiro foi o laboratório.
Ronaldo pagou apenas R$ 50 milhões de entrada, usou o próprio faturamento do clube para quitar o restante e depois vendeu sua participação por R$ 600 milhões, sem nunca ter colocado um bilhão de verdade.
Agora, segundo observadores do mercado, o mesmo formato tenta se repetir no Corinthians — só que em escala muito maior.
SAF de verdade ou golpe anunciado?
O discurso é tentador: pagar a dívida e “salvar o clube”.
Mas, na prática, o que se desenha é a velha manobra — vender um ativo bilionário por trocados, com o próprio Corinthians bancando sua compra.
Os que defendem uma SAF legítima afirmam que o modelo correto exige:
R$ 3 bilhões à vista para quitar todas as dívidas.
R$ 3 bilhões em três anos investidos no futebol.
R$ 17 bilhões em dez anos voltados à estrutura, base e globalização.
Proibição total de usar receitas do clube para pagar a compra.
Qualquer coisa diferente disso é golpe.
O verdadeiro objetivo
Para analistas políticos e conselheiros críticos, a questão central não é apenas econômica, mas de controle.
A R.E.T. Criou um sistema onde o clube, mesmo faturando alto, nunca se emancipa financeiramente.
Dívidas se renovam, contratos se estendem e os mesmos rostos continuam decidindo — um ciclo perfeito para quem lucra com o caos.
E agora, com o Flamengo e o Palmeiras articulando dentro da CBF leis de “fair play financeiro”, a intenção parece clara:
enfraquecer o Corinthians institucionalmente, travar sua recuperação e impedir que o gigante popular volte a competir em igualdade de condições no mercado.
O risco
Se o Corinthians cair no mesmo modelo que derrubou Cruzeiro e Botafogo, perderá o controle sobre seu destino.
O clube que resiste há quase duas décadas de saques e má gestão — ainda faturando R$ 1 bilhão por ano — seria entregue, novamente, aos mesmos braços do sistema que o mantém refém desde 2007.
Como disse um ex-dirigente em reserva:
≫ “O Corinthians não precisa de salvador, precisa de limpeza. SAF só se for de verdade. Fora isso, é só mais um capítulo da velha história da R.E.T., agora com outro nome.”
em Bate-Papo da Torcida > A engenharia do poder: Ronaldo, SAFiel e o projeto da R.E.T. Que...



