Corneta
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em Bate-Papo da Torcida > Diniz: A Loucura Santa do Corinthians
Em resposta ao tópico:
A verdade, essa prostituta que nos espreita em cada esquina de Itaquera, não aceita maquiagem. O Corinthians, hoje, é uma tragédia em preto e branco, um Brás Cubas de chuteiras furadas, perdido numa dúvida que não é mais existencial, mas puramente tática. E surge, sob o céu de chumbo da Zona Leste, o vulto de Fernando Diniz.
Diniz não é um treinador; é um místico, um possuído por uma ideia que os tontos que jamais compreenderão. Ele quer o risco. Ele quer o abismo. Enquanto os técnicos de prancheta mofada pedem o chutão para o mato — esse gesto de covardia cósmica —, Diniz exige o toque de bola na pequena área, um balé de nervos à beira do suicídio desportivo.
E o corintiano, que carrega a alma calejada por sofrimentos bíblicos, reconhece ali o seu espelho. O corintianismo é, por definição, o gozo no desespero. É a crença de que a beleza só nasce da iminência do desastre. Diniz dará ao Parque São Jorge o que ele mais precisa: o drama. Ele fará do zagueiro um filósofo e do goleiro um equilibrista de circo.
Os cínicos dirão que ele é a ruína. Mentira. Ele é a redenção pelo delírio. Ver o Corinthians sair jogando curto, sob a pressão de três atacantes babando ódio, é a experiência estética definitiva. É o futebol elevado à categoria de pecado mortal.
Diniz é a solução porque ele ignora o placar para salvar o espírito. O Corinthians não precisa de três pontos; precisa de uma razão para pulsar, para sofrer, para sentir o suor frio percorrendo a espinha. No dia em que a bola rolar de pé em pé, num transe hipnótico dentro da própria área, o Fiel terá reencontrado a sua essência. A solução não é a vitória, meus amigos. A solução é a loucura santa de Fernando Diniz.
