Adrienne Morelato
Os caras morrem de inveja que o Memphis joga no Corinthians. Se ele jogasse no Flamengo, veríamos aquela babação de ovo total.
em Bate-Papo da Torcida > Culpar o Memphis é fácil demais
Em resposta ao tópico:
Para os jornalistas, o problema do Corinthians tem nome, sobrenome e chuteira cara: Memphis. É sempre assim. Quando a casa cai, ninguém quer procurar rachadura na fundação — é mais fácil apontar para o quadro na parede e dizer que ele está torto.
Memphis virou o alvo perfeito. Veio com grife, salário alto, expectativa inflada. E no primeiro tropeço coletivo, pronto: a culpa é dele. Como se o Corinthians fosse um time organizado, saudável, coerente — e ele, sozinho, fosse a engrenagem quebrada. Não é.
O Corinthians já vinha torto antes dele pisar aqui. Diretoria perdida, dívida sufocando, elenco sem alma em vários momentos, treinador por um fio. Mas nada disso rende manchete fácil. Não cabe em debate raso de televisão. É complexo demais. E jornalista, hoje, parece ter alergia a complexidade.
Então simplificam. Escolhem um rosto. E batem.
Memphis não resolve tudo — e nem deveria. Não é salvador, nem vilão. É só jogador. Oscila, erra, tenta. Como qualquer outro. Mas quando o time inteiro não funciona, colocar tudo nas costas de um só cara é quase desonesto. Ou preguiçoso.
Talvez o problema seja mais profundo. Talvez doa mais admitir que o buraco é estrutural, que não se tapa com um drible, um gol ou uma substituição. Mas isso exige trabalho, análise, coragem.
E isso, convenhamos, anda em falta.
No fim, Memphis vira bode expiatório de um Corinthians que se perdeu de si mesmo. E enquanto a discussão continuar rasa, conveniente e covarde, nada muda.
Só o culpado da vez.
