Quase Tm
Vejam bem, meus amigos, a vida como ela é. O futebol não é uma ciência exata, é um drama de subúrbio, uma tragédia grega encenada no asfalto quente de Itaquera. O que vemos hoje nas redações, sob o verniz de uma isenção higiênica, é o 'clubismo estrutural'. É o ódio que não ousa dizer seu nome. Devido ao clamor popular e aos pedidos de quem sente o veneno destilado no dia a dia, fomos obrigados a ampliar esta lista, escalando os nomes que fazem da crônica um exercício de conveniência.
Subamos as cortinas para o desfile das vaidades e dos traumas:
1.O Profeta do Desdém (Mauro Cezar Pereira): No topo do pódio, a desonestidade intelectual que brilha como diamante falso. O drama do flamenguista é o espelho: a Fiel é tudo o que a dele queria ser, mas não é. Daí nasce a perseguição doentia, o olhar de lupa para o erro alheio e a venda nos olhos para o próprio quintal.
2.O Inquisidor de Periquito (Danilo Lavieri): Vive em transe punitivo desde que o Alvinegro dobrou o seu rival em 2025. Condena a Arena com rigor de carrasco, mas silencia sobre o estádio vizinho — aquele solo arrendado de nome vendido. Persegue o arqueiro com a sanha de quem ainda chora por um gigante que partiu por puro tédio aristocrático.
3.O Viúvo da Vila (Leonardo Fontes): O santismo nele é uma ferida que não fecha. As goleadas históricas deixaram sequelas que a razão não cura. Ele não analisa; ele se vinga em cada adjetivo, como o menino que chora o gol tomado no recreio e nunca superou o fim do reinado litorâneo.
4.O Cavalheiro do Abismo (Paulo Massini): O palmeirense de boas maneiras que mata com polidez. Sugeriu, com a maior das gentilezas, o caminho mais curto para o abismo da Segunda Divisão. Questiona se 'dá para ser civilizado em Itaquera', como se a honra dependesse do código postal.
5.O Tabelião da Gávea (Rodrigo Mattos): Liberto da vergonha de torcer, vive para fustigar quem ousa desafiar a hegemonia de seu pavilhão. A alegria corinthiana lhe causa um desconforto físico, uma urticária que ele tenta disfarçar sob o manto cinzento das planilhas financeiras.
6. O Penitente Público (André Rizek): O caso mais lúgubre: o corinthiano que pede desculpas por existir. Pune o próprio sangue para ser aceito no salão dos vizinhos. Apunhala a história do clube e a memória do pai para colher elogios de quem despreza o seu povo.
7.O Guarda-Livros do Ódio (Eduardo Tirone): O rancor cozido em banho-maria. Fala das dívidas da Arena como se fosse o dono do cartório, incluindo até o lanche do intervalo para inflar os números. Mas seu silêncio sobre o Morumbi é absoluto; esquece as benesses que salvaram seu próprio chão da ruína.
8.O Mercador de Escândalos (Flávio Prado): Detona o clube pelo clique, pela audiência fácil do caos. Mas a coerência é curta: agora, com o amigo pessoal Diniz no comando, perceberão que as críticas ferozes subitamente ganharão a doçura do silêncio.
9.O Invejoso da Pulsação (Bernardo Ramos): Acometido pela dor de ver que sua torcida jamais terá a alma da Fiel. Como não pode comprar o fervor, ataca o jogo e os homens com o amargor de quem tenta punir nos outros a apatia que habita sua própria casa.
10.A Dama das Duas Faces (Milly Lacombe): Um camaleão de mantos — ora de Itaquera, ora das Laranjeiras. Ataca o time feminino com um zelo seletivo, esquecendo, por puro viés, a multidão que atravessa o mundo para apoiar as 'Brabas'. Prefere a tese ideológica ao reconhecimento da maior devoção popular.
11.A Fanática do Anticlímax (Alicia Klein): Padece de um palmeirismo terminal que nubla o juízo. Persegue o Alvinegro por puro instinto, negando virtudes solares enquanto ignora no seu 'Palestra' os exatos defeitos que aponta no vizinho.
É o clubismo estrutural, meus amigos. Eles não odeiam o Corinthians pela bola; odeiam porque o Corinthians é o imprevisto, é o suor que borra a maquiagem da crônica limpinha. O gigante incomoda porque, mesmo ferido, ele insiste em não pedir licença para ser feliz.
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