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Post de Mário Mattos no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão

O Corinthians é um clube associativo que passa por uma grave crise financeira e política. A dívida está em torno de R$ 3 bilhões e o clube tem se tornado assunto frequente em páginas policiais, por conta das intensas disputas políticas internas e governança amadora sem cultura empresarial. Os juros da dívida crescem a uma taxa de aproximadamente R$ 1,2 milhão por dia. Os números apontam resultados deficitários, agravando a situação já crítica do fluxo de caixa e inviabilizando qualquer perspectiva de equilíbrio financeiro sem aporte significativo de capital externo que rompa definitivamente o ciclo de endividamento. Os problemas de fluxo de caixa têm obrigado a administração a antecipar recebíveis de forma recorrente, comprometendo receitas de exercícios futuros e criando espiral de dependência financeira que fragiliza progressivamente a capacidade de gestão das próximas gestões.

O clube se encontra impedido de acessar os incentivos fiscais previstos na Lei de Incentivo ao Esporte, em razão de sua situação financeira irregular, perdendo oportunidade relevante e recorrente de captação de recursos sem contrapartida onerosa, benefício disponível apenas a entidades em dia com suas obrigações. Além disso as crescentes exigências de adequação ao fair play financeiro da CBF impõem ao clube obrigações cujo descumprimento pode resultar em penalidades, restrições à inscrição de atletas.

Auditorias externas e independentes constataram: “incerteza relevante quanto à capacidade de continuidade operacional do clube”; “dúvidas consistentes quanto à capacidade do Corinthians de honrar sequer as suas contas ordinárias mensais”; “sinalizadores clássicos de risco de insolvência”.

Pedidos de intervenção judicial elaborados por grupos de torcedores, associados e credores têm adquirido substância jurídica com fundamento nos arts. 36,59,60,66 e 67 da Lei Geral do Esporte, representando risco real e iminente de submeter o clube a uma administração judicial.

A aprovação da Reforma Tributária e suas regulamentações trazem uma mensagem clara para o futebol brasileiro: a era do amadorismo não será apenas punida desportivamente, mas inviabilizada fiscalmente. O que antes era um debate ideológico sobre 'vender ou não o clube' transformou-se em uma equação de sobrevivência. O diagnóstico é que haverá um abismo tributário onde permanecer como associação civil sem fins lucrativos pode custar o dobro, ou mais, em impostos do que migrar para o modelo empresarial regulamentado pela Lei das SAFs.

Diante desse cenário o projeto SAFiel propõe a criação de uma empresa, no modelo SAF (sociedade anônima do futebol), cujas ações poderiam ser adquiridas por torcedores. Diferente das “SAFs de dono” onde um único investidor compra parte relevante das ações do clube, a SAFiel é um modelo inovador de SAF popular, democrática e pulverizada, sem transferência a terceiros. Na prática, a própria torcida se tornaria acionista dessa nova empresa, com a possibilidade de votar em assembleia geral e eleger os conselheiros que decidirão os rumos administrativos do futebol do clube, preservando a essência histórica de identidade popular do Corinthians.

O clube social Parque São Jorge e os outros esportes (basquete, futsal, natação, etc.) seguirão sua vida separadamente, de forma autônoma, comandado exclusivamente por seus associados de acordo com seu próprio estatuto, exatamente como é hoje, apenas sem as propriedades do futebol. No lugar dessas propriedades, terão como ativos as ações da SAFiel. Assim o clube deixa de ser operador direto de um negócio financeiramente instável, e passa a ser acionista de uma plataforma estruturada de geração de valor econômico, com governança e disciplina de capital, tendo maior potencial de valorização e, consequentemente, melhorarão significativamente sua situação patrimonial.

A marca Corinthians continuará 100% sob propriedade do clube social.

Além disso, o clube receberá da SAFiel um aporte inicial correspondente a 2% do valor da captação das ações, e passará a receber uma receita recorrente de royalties pelo uso da marca.

em Bate-Papo da Torcida > Por que SAFiel?

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