Daniel Mendes
Isso do Guardiola é muito real. Nessa palhaçada de que muitos chamam de 'futebol moderno', é um sistema só com volantes. Perdemos a nossa escola de meias articuladores. Um absurdo ter somente Paquetá em um elenco de seleção brasileira. Todo mundo quer ser o Xavi e o Iniesta, ninguém mais quer ser o Rivelino, o Zico, o Kaká, o Zidanilo.
em Bate-Papo da Torcida > Vou fazer textão...sim
Em citação ao post:
Quando Charles Miller chegou ao Brasil com bolas, chuteiras, jogos de uniformes e um livro de regras, o futebol já existia há meio século na Inglaterra. Como não havia televisão, Internet e redes sociais naquela época, o intercâmbio era dificultoso e foi preciso que os brasileiros criassem seu próprio estilo, que começou a dar suas caras nas Copas de 1938,1950 (apesar do Maracanazo) e 1954 e deslumbrou o mundo a partir de 1958.
Apesar do Brasil ter vencido três mundiais de forma dominante e original e ter inspirado treinadores de base a moldar três gerações de craques pelo mundo afora, bastou uma única derrota, o 3x2 para a Itália no Sarriá, para que tudo fosse jogado no lixo. Sem a contestação ao modo aberto e até irresponsável com que Telê Santana armou seu time para uma partida em que o empate bastaria, provavelmente o fenômeno Felipão e toda a chamada Escola Gaúcha, que mudaram completamente o futebol deste país, não teriam existido.
Pior que isto ainda foi o culto a Guardiola, um hit entre jornalistas, comentariasta e palpiteiros táticos deste país. Embora o conceito de jogo posicional não tenha ainda sido inteiramente assimilado pelo pensamento tático nacional, mesmo com o influxo de treinadores estrangeiros nos últimos anos, esta coisa reduziu nossas bases a um fordismo de volantes e pontas medíocres e limitados. Foi isto, aliado a mudanças psicológicas inerentes à geração Z, que fez a fonte secar e nossos craques sumirem. Se o time que Ancelotti montou para 2026 já decepciona, a perspectiva para 2030 é verdadeiramente assombrosa. A falta de qualidade em campo é um reflexo da falta de inteligência por parte de quem está envolvido no futebol brasileiro, desde jornalistas a dirigentes. Se nada for feito, o Brasil há de se consolidar como um novo Uruguai.







