Bruno
O projeto Time do Povo tem uma ideia parecida com essa.
em Bate-Papo da Torcida > Baixar os juros das dívidas ajudaria muito o Corinthians (como...
Em resposta ao tópico:
Salve, amigos do fórum.
Na quinta-feira eu fiz um post apontando que o Corinthians apresentou em seu banço de 2025 dívidas de curto prazo que superam 32% de juros anuais.
Agora eu gostaria de relembrar como empréstimos mais baratos feitos a partir de 2013 ajudaram o nosso arquirrival a se reerguer do fundo do poço em que estava.
(Estou dividindo o tema em posts diferentes para evitar despejar um monte de números de uma vez).
1. Credor Paulo Nobre
Em 2013 o então presidente do rival, Paulo Nobre, começou a contrair dívidas em seu nome para repassar o dinheiro ao clube. Como ele é bilionário e trabalha no mercado financeiro, usou seu patrimônio como garantia para obter os empréstimos, que eram destinados ao seu clube. Desse modo, mesmo estando em péssima condição financeira, o clube conseguiu empréstimos nas condições que um clube ou uma empresa saudáveis conseguiriam.
Os números: Entre 2013 e 2014, Paulo Nobre emprestou mais de R$ 140 milhões ao seu clube. Em valores atualizados, isso dá mais de R$ 280 milhões. De acordo com o cartola, os juros por ele conseguidos correspondiam à metade do que o clube conseguiria em condições normais (entrevista ao GE em 2013).
2. Credora leila Pereira
Além de patrocinadora, a instituição que pertence a Lelila Pereira forneceu dinheiro com a finalidade específica de contratação de jogadores. O dinheiro seria devolvido em caso de venda desses jogadores ou em outras condições específicas. A Receita Federal não aceitou esse modelo de financiamento e os valores transmitidos ao clube viraram dívida ordinária com a empresa.
Os números: Em 2018, a dívida foi formalizada e em 2019 chegou a um total de R$ 170 milhóes. Em valores atualizados, isso dá mais de R$ 230 milhões. Os juros desse empréstimo foram de 100% do CDI, um valor tão baixo que chega a ser irreal no mercado financeiro.
Em suma...
O rival conseguiu financiamentos de mais de meio bilhão de reais em um período de cerca de 7 anos, com juros bem abaixo do que conseguiria em condições normais. Não foi só isso que fez com que o clube se reerguesse, mas certamente foi de grande ajuda naquele momento.
E como o Corinthians conseguiria algo assim?
Bem, não dá pra ficar esperando um bilionário aparecer do nada. Mas milhares de micro-investidores talvez consigam compor um fundo ou serem credores de debêntures (investimento em que pessoas emprestam direto para uma empresa, eliminando o banco como intermediário).
Não seria uma doação (como a vaquinha para o estádio) nem seria comprar ações do clube como ocorreria com a SAFIEL, mas seria uma maneira de investir no clube. Que fique registrado que tal tipo de financiamento não excluiria a possibilidade de existência da SAFIEL, seria algo para ocorrer em paralelo.
Isso não vai salvar o clube, mas pode atacar um dos problemas que asfixiam as finanças da instituição: o altíssimo custo para conseguir crédito.
Eu acredito que seja possível um financiamento em que um torcedor-investidor consiga um retorno maior do que conseguiria em títulos de renda fixa e que, ao mesmo tempo, o clube pague menos do que paga atualmente para instituições financeiras. Vamos só deixar combinado que não é pra ninguém emprestar todas as suas economias para o Corinthians, hein?
Por enquanto é isso. Pretendo nos próximos dias fazer um terceiro tópico trazendo uma proposta mais concreta. Mesmo que a ideia não vingue, espero ao menos contribuir para o debate, de modo que nós, torcedores, busquemos soluções viáveis para esse e outros problemas do Corinthians.