O Corinthians precisa ser copeiro: a disputa da Copa do Brasil já começou
Opinião de Beatriz Maineti
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Félix Torres divide bola com Cristaldo, do Grêmio
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Mais ou menos aos 20 minutos do primeiro tempo da partida contra o Grêmio, na Neo Química Arena, Ángel Romero foi segurado por Kanneman dentro da área e o VAR, corretamente, sugeriu a revisão para o pênalti. Na ocasião, os visitantes venciam por 1 a 0, com gol marcado com pouco mais de um minuto de jogo. Poucos minutos depois, o árbitro de campo constatou o puxão e assinou o pênalti.
Foi neste exato momento que começou a disputa pela classificação às quartas de final da Copa do Brasil 2024. Os jogos, propriamente dito, só começarão a ser disputados na próxima quarta-feira, mas o embate mental entre Corinthians e Grêmio teve início no momento em que o zagueiro gremista puxou o atacante corinthiano dentro da área e o árbitro, acertadamente, assinalou o pênalti para o time da casa.
O Corinthians não pode abaixar a guarda nessa disputa que se cria fora de campo. Ser copeiro também significa saber jogar com o psicológico do público e mexer com a disseminação midiática dos jogos. O Grêmio já está em campo, e o Corinthians precisa estar atento para não começar perdendo já nos minutos iniciais.
Na saída do primeiro tempo, Marchesín, goleiro do Grêmio, deu fortes declarações à imprensa. Apelou para a tragédia climática que assolou o Rio Grande do Sul ao dizer que o pênalti não poderia ter sido dado e reclamou de um impedimento, também acertadamente assinalado, "por um tantinho assim", fazendo gestos com as mãos que indicavam um espaço pequeno.
Ao sair do campo, Renato Portaluppi fez o famoso gesto de roubo, mesmo depois de ter visto o juiz inverter faltas e laterais ao longo dos demais 70 minutos de jogo. O treinador gaúcho preferiu ignorar que seu time, ainda na zona de rebaixamento, saiu na frente do placar duas vezes, mas acabou sofrendo o empate do Corinthians durante sua entrevista coletiva para dizer que seu time foi prejudicado. Segundo ele, ao jogar contra o Corinthians, é preciso jogar "contra todos".
Reinaldo, que já esteve envolvido em tantas polêmicas quando o assunto é o Corinthians, também falou sobre o assunto na saída do gramado. Relembrou aquele icônico 4 a 4, quando o Grêmio não teve um pênalti marcado no fim da partida, também na Neo Química Arena. De forma bem inteligente, Reinaldo ignorou o jogo da Arena do Grêmio, no segundo turno do Campeonato Brasileiro, quando Matheus Bidu foi derrubado na área e o VAR nem mesmo instruiu o árbitro a rever o lance.
Segundo o presidente Alberto Guerra, inclusive, foi aquele jogo na Neo Química Arena que tirou do Grêmio a chance de lutar pelo título do Campeonato Brasileiro de 2023. Para ele, o problema não foi ter perdido por 1 a 0 para o Corinthians em casa tendo um jogador a mais em campo. O ponto chave da não conquista está nos dois pontos deixados em São Paulo, não nos três não conquistados em casa. Mas, para ele, isso acontece na Neo Química Arena desde 2010 - mesmo que o estádio só tenha sido inaugurado em 2014.
Enquanto um dos lados entrou no embate de peito aberto, o Corinthians se fechou em um silêncio ensurdecedor. Os torcedores ouviram que o pênalti assinalado a favor do Timão foi "o mais escandaloso" do Campeonato Brasileiro, e sentou em silenciosa indignação quando o analista de arbitragem disse que esse tipo de puxão dado por Kanneman é "sua característica", como sendo algo corriqueiro. O Sport Club Corinthians Paulista, como instituição, ficou em silêncio.
A resposta veio de forma menos escandalosa, e o clube deve procurar a CBF para pedir cuidado na escolha da arbitragem para os confrontos da Copa do Brasil, que começam na semana que vem. A diretoria entende que as reclamações exageradas podem influenciar na condução dos jogos. E a intenção das manifestações gremistas, convenhamos, era exatamente essa.
O retorno corinthiano foi silencioso, embora tenha sido direto na fonte. É importante, porém, que não fique por isso mesmo. Quem mais grita é ouvido com mais clamou, e a diretoria corinthiana não pode entender o movimento gremista como uma simples indignação após um resultado negativo. Ser copeiro é, também, saber jogar xadrez. Resta decidir se o clube vai andar uma casinha por vez ou se vai atacar de forma incisiva.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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