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Ao presidente Osmar Stabile: muito ajuda quem não atrapalha
Beatriz Maineti

Apaixonada pelo futebol, mas, antes de tudo, feita de Corinthians. O mundo em preto e branco é mais bonito.

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Ao presidente Osmar Stabile: muito ajuda quem não atrapalha

Osmar Stabile explicou ausência do Corinthians em reunião da CBF sobre arbitragem e irritou o torcedor

Foto: Matheus Pogiolli / Meu Timão

Na última segunda-feira, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) organizou uma reunião com os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro para discutir a polêmica questão de arbitragem. A questão se tornou latente na atual edição da competição, que tem os árbitros, tanto de campo quanto de vídeo, como protagonistas. O Corinthians, inclusive, era, teoricamente, um dos mais interessados no evento, já que figura entre os times que conviveram com mais interferências em seus jogos em todo o torneio.

O clube do Parque São Jorge, porém, não compareceu. Mesmo tendo 15 intervenções do árbitro de vídeo e sete gols anulados até outubro de 2025, o Corinthians não contou com ao menos um representante no encontro. A reunião aconteceu menos de uma semana depois da partida contra o Red Bull Bragantino, quando se falou pouquíssimo sobre campo e bola e muito sobre o trabalho de Edna Alves Batista, que apitou o jogo. A justificativa, vinda de Osmar Stabile, presidente do clube, é a de que a instituição “não resolve problema de arbitragem, quem resolve é a CBF”. O mandatário explica:

“Nós reclamamos várias na questão da arbitragem. Fizemos uma representação e cabe à CBF afastar a juíza, independente se ela é mulher ou homem. O problema é que ela errou e ela tem que ser afastada. E nós estamos muito chateados com a CBF? Não, nós estamos chateados com a arbitragem. E a arbitragem não tem nem uma vez, nós perdemos 12 pontos com a arbitragem. Então, nós estamos muito chateados com isso. Nós estamos não chateados, revoltados”.

Em outro momento, ele diz que a decisão de não estar presente na reunião foi tomada com base na ineficiência de resolver os problemas da arbitragem. Mais uma vez, nas palavras de Osmar Stabile:

“Ia resolver o que lá? Eu acredito que não (teve muita utilidade). Vamos ver os próximos jogos, se teve ou se não teve. Não dá para você fazer juízo de valores se você não viu os próximos jogos. Vamos ver os próximos jogos o que vai acontecer”.

O que parece ter escapado da leitura que Osmar Stabile fez da situação é o contexto. O Corinthians iniciou o Campeonato Brasileiro, ainda na primeira rodada, com um gol anulado diante do Bahia que, por si só, já levantou polêmica. Depois, teve duas marcações legítimas anuladas contra o Internacional, dentro da Neo Química Arena, com intervenção da arbitragem de vídeo. Além dos pênaltis contra o Red Bull Bragantino ainda no primeiro turno e contra Vasco e Internacional, estes já na segunda metade da competição.

Em todos estes casos, porém, a revolta contida foi uma constante. O Corinthians, especialmente na pessoa de Dorival Jr, seu treinador, demonstrou um inconformismo com as marcações que não se estenderam à diretoria. Os grandes nomes da administração corinthiana, aliás, pouco ou nada falaram sobre o caso, salvo em Porto Alegre e em Bragança Paulista.

O silêncio do Corinthians, que sempre foi ensurdecedor, tornou-se doentio, algo que enoja o torcedor. A ausência do clube na reunião terá, efetivamente, o mesmo efeito prático da falta de manifestação em erros bizonhos: nenhum. Nada será feito porque, no fim, se nem quem deveria se preocupar com o Sport Club Corinthians Paulista o faz, por que outras instituições o fariam? O que leva a CBF a se revoltar com a qualidade da arbitragem empregada nos jogos da equipe alvinegra se nem os próprios comandantes se omitem?

Nada é feito e a diretoria peca pela omissão que já se tornou um uniforme diário desta gestão. Talvez Osmar Stabile não entenda, na prática, o quão enervante é a sua fala aos ouvidos dos corinthianos que estão cansados de bradar contra uma classe que, sumariamente, prejudica o seu time do coração há anos.

Talvez falte ao presidente a noção básica e quase infantil de que muito ajuda quem não atrapalha. Para citar Dorival Jr., faltou energia ao Osmar Stabile. Sua reclamação não soa como protesto, mas sim como uma desistência. A fala quase desinteressada em um assunto que tem sido pauta entre os torcedores é a prova de que o mandatário, que assumiu a presidência após o impeachment de Augusto Melo, talvez não saiba que seu governo deve - ou deveria - representar os mais de 30 milhões de apaixonados.

Veja mais em: Osmar Stabile, Erros de arbitragem e Campeonato Brasileiro.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Beatriz Maineti

Apaixonada pelo futebol, mas, antes de tudo, feita de Corinthians. O mundo em preto e branco é mais bonito.

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