Eu tenho medo pelo futebol brasileiro
Opinião de Beatriz Maineti
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Hugo contra Gerson e Wesley em jogo entre Flamengo e Corinthians pela Copa do Brasil
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
O STJD, em decisão unânime, optou por acatar a mudança de datas na semifinal da Copa do Brasil implementada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A determinação, à qual não cabe mais recurso algum por parte do Corinthians e do Vasco, que solicitaram a abertura do processo, viola diretamente o Regulamento Geral de Competições da entidade, mas isso não foi o mais importante para quem votou a favor da manutenção do ato.
O mais importante para presidente, vice-presidente, relator, procurador e membros votantes do STJD era, indiscutivelmente, assegurar a autonomia da entidade máxima do futebol brasileiro que é a CBF. Este direito, vale lembrar, está previsto na Constituição Federal, no próprio Regulamento Geral de Competições e em outros estatutos. Está amplamente certo aquele que prega a manutenção de dita autonomia!
Mas, como em todo e qualquer cenário em que há uma entidade de governo, seja no âmbito esportivo, político, administrativo ou o que seja, as autoridades desta organização precisam, obrigatoriamente, seguir determinadas regras. Para garantir que a autonomia da CBF fosse mantida, o STJD ignorou completamente que os limites que buscam garantir a isonomia de toda e qualquer competição estavam sendo descartados.
Para garantir a sua autonomia, a CBF ignorou as determinações do seu próprio regulamento. Agiu de acordo com o que achava certo, sem considerar todas as partes envolvidas no caso e decidiu, por pura e espontânea vontade, que os jogos de volta deveriam acontecer no dia 20 de outubro. E aí eu pergunto: o que é um órgão regulamentador que não segue regras?
A CBF, pela sua magnitude, deve prezar invariavelmente pelo bem-estar de todos os clubes que estão federados a ela. Sem a menor exceção! As regras previstas em seu regulamento visam, também invariavelmente, produzir condições igualitárias de competição para todos os times envolvidos em suas competições. Se a entidade que deve orquestrar todo o processo decide, de forma voluntariosa, favorecer determinada equipe, para que existem essas regras?
Confesso que, particularmente, essa situação me deixou alarmada. Não só porque, como corinthiana, me senti desrespeitada pela instituição que deveria prezar pelo bom andamento das competições, mas principalmente porque acredito que um novo precedente se abriu no esporte nacional. A partir de agora, a CBF terá carta branca, alegando a manutenção da sua autonomia, para tomar toda e qualquer decisão em relação às suas competições.
Em um momento em que tudo o que diz respeito ao futebol brasileiro é questionado, a atuação da CBF e do STJD, que foi palco de uma argumentação contraditória do seu principal relator nesta sexta-feira, coloca um ponto de interrogação muito grande no futuro. Afinal, se uma regra simples foi quebrada para assegurar a decisão da entidade, quais outras, tão simples ou mais complexas, podem entrar no mesmo balaio?
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