“Nada é para sempre, muito menos por acaso”
Opinião de Beatriz Maineti
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Gabi Portilho não deve permanecer no Corinthians para a temporada 2025
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
A frase que dá título a este texto, com certeza, te soa familiar. Você já deve ter ouvido esta mesma mensagem de diversas formas diferentes e também vindas de várias fontes diferentes. Isso só acontece porque ela é um clichê absoluto, mas se encaixa bem no que eu pretendo falar. Neste caso em específico, eu vou usar o sentido dado a ela pelo Forfun, uma banda que fez bastante sucesso entre os adolescentes dos anos 00. Eu não era desse grupo, devia ter entre oito e dez anos quando eles estouraram, mas ouvi muito com os meus irmãos mais velhos - eles, sim, parte da juventude dessa época.
A música se chama “4 a.m.”, e eu confesso que não a ouvia há pelo menos dez anos. Ontem, depois do último pênalti batido na final do Campeonato Paulista Feminino, ela começou a tocar no fundo da minha memória.
O Corinthians Feminino acabou com a medalha de prata do torneio Estadual, mas a disputa da fase final já tinha dado errado antes mesmo de começar. E não me entendam mal, eu não acho, particularmente, que ficar com o vice-campeonato na quarta competição disputada no ano depois de ter conquistado as outras três seja ruim. Muito longe disso! A questão é que não se falava na grande decisão.
O ponto focal não era esse. E há quem diga que nem tinha como ser! Afinal de contas, o Corinthians entrou em campo com mais de um time inteiro com contratos próximos do fim e sem saber, realmente, se teria um elenco para a temporada de 2025. Todo mundo pensava no futuro, mas o presente ainda estava acontecendo bem ali, diante dos olhos de quem quisesse assistir.
O desastre começa a ser anunciado quando Gabi Portilho, Yasmin e Vic Albuquerque se emocionam ao deixar o gramado da Neo Química Arena após a vitória simples por 1 a 0 sobre o Palmeiras no jogo de ida da final. Na zona mista, a camisa 18 anunciou, sem papas na língua, que aquele poderia ter sido seu último jogo diante da torcida corinthiana, e se emocionou ao falar sobre se despedir de suas companheiras.
Era o fim, e ele havia sido decretado cedo demais. Ainda faltavam 90 minutos de uma decisão importantíssima para o Corinthians, e essas atletas eram parte integrante desse momento. Foram elas que, em várias outras situações, ergueram os canecos que acostumaram as arquibancadas ao grito de “campeão”. Elas poderiam, pela última vez, entregar isso ao corinthiano que se fez tão presente no futebol feminino desde a reativação da modalidade no clube.
Mas já não se pensava no presente. O futuro era a palavra de ordem, e o “aqui e agora” passou voando, como um espetáculo triste de se acompanhar. As Brabas, de repente, não eram mais as Brabas, e o fogo de vencer parecia ter se apagado. Em um jogo apático, o Corinthians perdeu o título sem conseguir converter nenhuma das cobranças de pênalti.
Claro que não foi só o pensamento futurista das atletas que levou o Corinthians a perder esse título. Lucas Piccinato, técnico da equipe, também tem sua grande parcela de culpa, assim como a diretoria, que deixou todas as definições da próxima temporada para as vésperas do último jogo do ano, mas não foram eles que bateram os pênaltis.
Muito se falava sobre o espírito corinthiano na forma de uma equipe de futebol quando o assunto eram as Brabas. A fome de vencer era insaciável! Se o time terminava a temporada com apenas dois títulos, não era o suficiente. Uma única conquista, então, era um fracasso completo! Essa característica se esvaiu.
Ciclos se encerram, e eu tenho defendido muito que é preciso saber quando encerrá-los. Todas as vitórias, as glórias e os títulos ficarão para sempre marcados na história do Sport Club Corinthians Paulista, que se tornou referência no futebol feminino muito por conta de cada uma delas. Essa história não se apagará!
Mas o jogo da última quarta-feira desenhou prioridades individuais, e cada uma delas está no seu direito de seguir em frente! Assim como o Corinthians, enquanto instituição e clube de futebol, também. É hora de deixarmos o passado para trás e focarmos no presente para se construir o futuro - tanto o delas quanto o nosso. Cabe à diretoria definir qual é o futuro que nos espera para darmos início a uma nova era.
Mas aí vocês me perguntam: e o que tem o Forfun a ver com isso? Pois é. A despedida da Portilho, da Vic, da Yasmin e de qualquer outra não significa o fim do Sport Club Corinthians Paulista. O projeto segue. Com novas peças, novas protagonistas, novos títulos, novas disputas. O futebol é assim, e talvez seja necessário dar um "até mais" agora para que possamos crescer. O outro lado pode nos mostrar uma vista legal. Vai saber? O futuro é logo ali.
“Vejo a sorte no futuro.
Não é o fim do mundo
Nada é para sempre, muito menos por acaso.
Se nem sempre o planejado sai como esperado,
É só uma chance para enxergar o outro lado”.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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